1° de setembro 1939

1 de Setembro de 2009 @ 09:30 por admin

A invasão da Polônia pelas tropas de Hitler marcou o começo da Segunda Guerra Mundial, na madrugada de 1º de setembro de 1939.

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A Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial, havia perdido seus territórios ultramarinos, a Alsácia Lorena e parte da Prússia. As altas indenizações impostas pelos Aliados causaram o colapso da moeda e desemprego em massa, fatores que, explorados pelos nazistas, contribuíram para o fortalecimento de Hitler no poder (assumido em 1933).

As relações entre a Alemanha e a Polônia já eram tensas desde a República de Weimar. Nenhum governo do Reich nem partido alemão concordava com a nova delimitação da fronteira leste do país (com um corredor polonês, neutro, separando o país da Prússia Oriental), imposta no Tratado de Versalhes.

Ambicionando as matérias-primas da Romênia, do Cáucaso, da Sibéria e da Ucrânia, Hitler começou a expansão para o Leste. Embora as potências ocidentais temessem o perigo nazista, permitiram seu crescimento como forma de bloqueio ao avanço comunista soviético.

Conquistas passo a passo

Em 1935, a Alemanha havia reiniciado a produção de armamentos e restabelecido o serviço militar obrigatório, contrariando o Tratado de Versalhes. Ao mesmo tempo, aproximou-se da Itália fascista de Benito Mussolini; de Francisco Franco, na Espanha; do Japão; e anexou a Áustria (Anschluss), em 1938, por tratar-se de um povo de língua alemã.

No ano seguinte, com a conivência da França e da Inglaterra, incorporou a região dos Sudetos, que abrigava minorias alemãs, na Tchecoslováquia. Por fim, aproveitou o ceticismo ocidental em relação à União Soviética e assinou com Josef Stalin um acordo de não-agressão e neutralidade de cinco anos.

Estava aberto o caminho para atacar a Polônia, exigindo a devolução da zona conhecida por “corredor polonês” e do porto de Danzig (neutra, a atual Gdansk).

Diante da negativa da Polônia em ceder Danzig, as tropas alemãs invadiram o país em 1º de setembro de 1939 e travaram uma guerra-relâmpago (blitzkrieg) com a frágil resistência local. Dois dias depois, a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha, fazendo eclodir a Segunda Guerra Mundial.

(ob/rw)

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Coprodução entre Alemanha e Polônia lembra eclosão da Segunda Guerra

30 de Agosto de 2009 @ 14:17 por admin

Sete décadas após a invasão da Polônia por Hitler, fato que desencadeou o início da Segunda Guerra, projeto da Deutsche Welle e da TVP polonesa tratam deste capítulo negro na história dos dois países.

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Na última quarta-feira (26/08), o documentário Hitlers Angriff – Wie der Zweite Weltkrieg begann (O ataque de Hitler – como a Segunda Guerra começou), produzido para televisão, teve sua estreia no Instituto Polonês, em Berlim. Setenta anos depois da invasão da Polônia pelas tropas alemãs, cineastas da Alemanha e da Polônia desenvolvem juntos um projeto sobre este fato histórico, tendo como ponto de partida perspectivas distintas.

“Estamos muito satisfeitos que tenha havido, agora, um filme coproduzido por poloneses e alemães sobre a invasão da Polônia. Setenta anos depois são realmente suficientes para que seja encontrada uma linguagem comum. Fico feliz que a cooperação com os colegas poloneses tenha dado tão certo”, afirmou Christoph Lanz, diretor da Deutsche Welle TV.

Para Agnieszka Romaszewska-Guzy, que participou do projeto em nome da emissora polonesa TVP Polonia, “é preciso, 70 anos depois da eclosão da guerra, voltar mais uma vez os olhos para esta que foi uma das maiores tragédias da nossa história, baseando-se em fatos e no saber e não em preconceitos e mitos”.

Segundo ela, já chegou a hora de a Alemanha e a Polônia encontrarem um olhar comum frente a esses acontecimentos hediondos. “Temos que estar em condições de aprender com o que ocorreu”, diz ela, ao ressaltar que a história não deve ser esquecida.

Testemunhos de sobreviventes

O documentário mostra como um bombardeio da Força Aérea alemã destruiu completamente a pequena cidade polonesa de Wielun, no dia 1° de setembro de 1939. Isso ainda antes da manobra na península de Westerplatte pelo navio alemão Schleswig-Holstein (que teoricamente teria por função apenas a formação marinha e náutica), em operação que ficou conhecida como “Plano Branco” é considerada até hoje o início oficial da Segunda Guerra Mundial.

Os diretores do documentário – Peter Bardehle e Nadine Klemens, da Alemanha, e Michal Nekanda-Trepka e Jan Strekowski, da Polônia – centram o filme em depoimentos de sobreviventes.

O bombardeio a Wielun ajuda a construir a dramaturgia do filme, contado pelos dois lados: o dos soldados alemães e o da população polonesa. Mesmo 70 anos mais tarde, eles conseguem relatar suas lembranças do dia em que eclociu a Segunda Guerra.

“Quase um milagre”

No filme, historiadores de renome situam, além das vivências pessoais relatadas pelos testemunhos, também os acontecimentos de agosto e setembro de 1939 na fronteira entre Alemanha e Polônia, sob a luz da política internacional. Entre os especialistas que participam do documentário estão Dieter Bingen, diretor do Instituto Alemão-Polonês em Darmstadt, e Norman Davies, historiador que vive em Oxford e Varsóvia.

Davies, autor do clássico Europe at War 1939-1945: No Simple Victory (Europa na Guerra: 1939 e 1945. Uma Vitória Nada Simples), dedica-se especialmente à percepção da Segunda Guerra Mundial sob a perspectiva do Leste Europeu, trabalhando ao lado de Viktor Sovorov, ex-agente da KGB, que pesquisa há anos o pacto Hitler-Stalin.

“Também em 2009, precisamos chamar a atenção, no discurso alemão-polonês, para a memória do que realmente aconteceu”, diz Bingen. Segundo ele, sob a lembrança da política nazista para a Polônia, é hoje quase um milagre o fato de que alemães e poloneses “mantenham uma relação relativamente amistosa”.

SV/dw

1944: De Gaulle entra em Paris

25 de Agosto de 2009 @ 11:13 por admin

Em 25 de agosto de 1944, tropas francesas e americanas libertaram Paris da ocupação alemã. Pelo rádio, da Inglaterra, o general Charles de Gaulle conclamou seus compatriotas a apoiarem os Aliados.
Desde 1940, a capital francesa estava ocupada pelos alemães. Tardaria até meados de agosto de 1944, até que as tropas aliadas conseguissem avançar em direção a Paris.

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Já nos dias que antecederam à libertação da cidade, ocorreram greves da polícia, dos correios e do metrô parisiense, o rádio suspendeu as suas transmissões e, no dia 19 de agosto de 1944, o Comitê da Libertação de Paris conclamou a população a rebelar-se.

Ministérios, redações de jornais e partes da administração municipal foram ocupados. Os grupos da Resistência parisiense passaram a lutar em combates de rua, atrás de barricadas construídas às pressas.

O líder da Resistência parisiense era o comunista convicto Henri Tanguy, conhecido como coronel Rol. Ele e os seus correligionários queriam aproveitar uma rebelião geral em Paris, a fim de assumir o poder político antes que as forças francesas de Charles de Gaulle e as tropas aliadas chegassem para libertar a cidade.

Desobediência a Hitler

O comandante alemão da região metropolitana de Paris era o general Von Choltitz, desde 7 de agosto de 1944. Do ditador alemão Adolf Hitler, Von Choltitz recebera carta branca para defender a cidade com todos os recursos e para destruí-la inteiramente, antes de uma retirada. O general, no entanto, contrariou as ordens para a destruição de Paris.

Ele solicitou ao cônsul-geral da Suécia em Paris, Raoul Nordling, que cruzasse o front e entrasse em contato com os Aliados, a fim de apressá-los e acelerar assim a capitulação.

Atendendo a uma sugestão de Raoul Nordling, o general Von Choltitz buscou contato com a Resistência em 19 de agosto. Porém, Raoul Nordling sofreu um ataque cardíaco pouco antes da sua partida. A carta de livre trânsito tinha sido emitida com o nome abreviado de R. Nordling. O irmão do cônsul-geral sueco, Rolf Nordling, assumiu assim a missão de alto risco.

O general Leclerc juntara-se a Charles de Gaulle e comandava então a 2ª divisão blindada francesa, que avançou rapidamente para Paris, a partir de 23 de agosto de 1944. Já no dia seguinte, companhias aliadas estavam nos subúrbios ocidentais da capital. Na tarde de 25 de agosto, o general Leclerc, juntamente com o coronel Rol, receberam a capitulação do general Von Choltitz, na chefatura de polícia da capital francesa. De Gaulle também chegou a Paris em 25 de agosto de 1944 e discursou à noite diante da prefeitura.

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General Leclerc com o Genral von Choltitz sentado ao seu lado, após assinatura do “ato de rendição” na chefatura de polícia de Paris.

Restauração da República

No dia seguinte, 26 de agosto de 1944, De Gaulle participou da parada triunfal da 2ª divisão blindada francesa, sob o comando do general Leclerc. Partindo do Arco do Triunfo, ele desceu a Avenida Champs Elysées, prosseguindo até a Catedral de Notre Dame. Os parisienses saudaram o libertador com grande entusiasmo.

O passeio pela cidade encerrava grande risco para o general, pois muitos franco-atiradores ainda disparavam dos seus esconderijos. Mas De Gaulle recusou-se a interromper a sua caminhada e marchou orgulhosamente pelas ruas parisienses.

Na catedral, continuou a ser celebrado o Te Deum, apesar de tiros disparados até mesmo dentro do templo gótico. Nunca se soube quem ordenou os disparos. Dois franco-atiradores foram presos em outras partes da cidade, mas não puderam ser interrogados, pois foram linchados imediatamente pela população furiosa. Há quem atribua os tiros aos comunistas. Eles procurariam, desta forma, impedir que De Gaulle subisse ao poder.

A parada da 2ª divisão blindada na cidade recém-liberada tinha como objetivo ressaltar o papel do movimento França Livre e reforçar a posição do general De Gaulle como líder do novo governo francês. Com isso, ele queria rechaçar as ambições comunistas de poder na França. Especialmente o fato de que o líder comunista da Resistência, coronel Rol, tenha sido um dos signatários da capitulação alemã, ao lado do general Leclerc, deixou o general tremendamente indignado.

De Gaulle forçou resolutamente a constituição de um governo francês, impedindo assim que a França se tornasse uma zona de ocupação das potências aliadas. No dia 9 de setembro, tomou posse um governo de unidade nacional, sob a presidência de Charles de Gaulle. Com isso, ele cumpriu a missão a que se propusera: libertar o país, restabelecer a República e organizar eleições livres e democráticas na França.

A aviação aliada destrói 80% de Frankfurt.

24 de Agosto de 2009 @ 13:13 por admin

O bombardeio estratégico é uma estratégia militar de ataque aéreo à alvos terrestres, geralmente utilizada em campanhas do tipo guerra total, com o propósito de destruir a capacidade do país inimigo manter a guerra. O bombardeio estratégico consiste num ataque sistematicamente organizado e executado do ar. Ele difere do bombardeio tático por não envolver necessariamente o ataque às tropas e equipamento militar inimigos, e nem estar próximo ao front de combate terrestre, como são os casos do apoio aéreo aproximado e da interdição aérea.

Os Aliados (EUA e Inglaterra) utilizaram bombardeios estratégicos sistemáticos contra a Alemanha e o Japão, tendo como alvos suas maiores zonas industriais??>

Frankfurt Cathedral 1944 - Frankfurt Cathedral 1944

Frankfurt

Em 24 de agosto de 1943 o bombardeio a Frankfurt arrasaram a Stadtbibliothek e a bliblioteca da Universidade, o que resultou uma perda de 550 mil livros e 440 mil teses de doutorado. Mais de 17.000 livros e 1.900 manuscritos de grandes autores desapareceram no ataque à Universidade de Greifswald. Cerca de 600 mil livros foram queimados no bombardeios de 1943 e 1944 sobre a Staatsbibliothek e a Universitaetsbibliothek de Hamburgo.

Fonte:
HISTORIA UNIVERSAL DA DESTRUIÇAO DOS LIVROS
Por Fernando Báez e Léo Schlafman

Dieppe 1942: Fracassa desembarque dos aliados na Normandia

19 de Agosto de 2009 @ 11:17 por admin

No dia 19 de agosto de 1942, seis mil soldados, na maioria canadenses, desembarcaram no norte da França para formar uma segunda frente contra Hitler e assim aliviar as tropas soviéticas. A missão fracassou e os aliados tiveram que se retirar, sofrendo grandes perdas.

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Hitler deu a ordem de atacar Stalingrado em 19 de agosto de 1942. Em meio ao verão europeu, as forças armadas alemãs (Wehrmacht) avançavam para o Leste. Na Europa Ocidental, a situação parecia sob controle. Mas, exatamente nesse dia, tropas aliadas atacaram a costa francesa do Canal da Mancha. Seis mil soldados tentaram desembarcar, com tanques e infantaria, na cidade portuária de Dieppe.

O noticiário alemão de 19 de agosto de 1942 registrou a batalha numa nota curta: “O Comando Superior das Forças Armadas comunica: uma ampla invasão de tropas inglesas, norte-americanas e canadenses executada, na manhã de hoje, perto de Dieppe, foi contida pelas forças de defesa costeira, sob sangrentas perdas para o adversário”. As tropas aliadas não tiveram chance.

Ainda no mar, confrontaram-se com navios alemães. Enquanto batalhavam no Canal da Mancha, a Wehrmacht foi alarmada a tempo na costa. Os invasores só chegaram até a praia. Utilizando aviões de combate, os alemães conseguiram afundar muitos navios aliados. Quatro mil e quinhentos soldados ingleses, americanos e canadenses morreram na batalha. Só escapou quem teve a sorte de encontrar um esconderijo.

Os aliados compreenderam logo a gravidade da situação e entraram em pânico. Os soldados negaram-se a desembarcar, mas foram forçados sob ameaça de execução por seus oficiais. Após o combate, um oficial alemão orgulhou-se na rádio estatal da frieza com que as forças nazistas aniquilaram os navios adversários, “despejando as bombas sobre os alvos, como num exercício militar”.

A estratégia

Stalin já havia pedido, em 1941, que os Estados Unidos e a Inglaterra abrissem uma segunda frente de batalha contra a Alemanha. Desde o final daquele ano, Roosevelt e Churchill planejavam a invasão da costa francesa. Várias pequenas expedições deveriam preparar o caminho para o grande desembarque de tropas. Em Dieppe, os aliados testaram tanques e armas. Além disso, eles queriam descobrir o esquema de abrigos antiaéreos dos alemães.

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A propaganda nazista transformou a batalha num grande triunfo da Wehrmacht. Na realidade, a investida dos aliados provocou um evidente alvoroço entre os generais alemães. Inclusive Adolf Hitler ficou preocupado. Cogitou até a transferência de uma divisão de elite da frente oriental para a França. Em setembro de 1942, ele ordenaria a formação da trincheira do Atlântico.

Cerca de 250 mil pessoas trabalharam no sistema de fortificação, mas problemas de reabastecimento e dificuldades técnicas retardaram a conclusão da obra. Os aliados adiaram, repetidamente, sua grande invasão, provocando decepção e desconfiança nos soviéticos. Finalmente, a 6 de junho de 1944, chegou o Dia D (Dia da Decisão), quando os aliados conseguiram desembarcar na Normandia, dando início à fase decisiva da Segunda Guerra Mundial.

Há 22 anos, Rudolf Hess era assassinado em Spandau

17 de Agosto de 2009 @ 15:41 por admin

A morte do líder alemão aconteceu à vespera de sua libertação, quando já sopravam os ventos que derrubariam o regime soviético.

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Hess morreu em 1987, ainda prisioneiro em Spandau. Sua morte foi qualificada de suicídio. Hess, então com 93 anos estava quase cego e movia-se com extrema dificuldade. Segundo a versão oficial, ele foi até à casa do jardim, colocou um cabo elétrico ao redor do pescoço e cometeu o suicídio. Entretanto, as declarações de sua enfermeira pessoal também colocam em xeque a versão oficial. Ela encontrou Hess sem sinal de vida no interior da casa do jardim. Tentando reanimá-lo pediu o saco de primeiros socorros que segundo ela, “foi entregue com uma grande demora, exageradamente longa” e que lhe chegou às mãos já aberto, com os instrumentos cirúrgicos destruídos e a garrafa de oxigênio vazia.

Esta enfermeira que acompanhou os últimos 5 anos da vida de Rudolf Hess afirma que “Hess tinha muita artrite nas mãos e já estava bastante fraco para se manter de pé sem apoio. Ele não conseguia atar os seus sapatos nem levantar os seus braços a uma altura suficiente para colocar um cabo no seu pescoço, embora a autópsia das autoridades inglesas e americanas afirmarem ter sido suicídio.

Uma segunda autópsia foi efetuada a pedido do seu filho. Wolf Hess contratou um patologista famoso, o Professor Dr. Spann do Hospital de Munique. A sua conclusão refuta a opinião do médico Britânico, professor James Malcom Cameron: “Muito provavelmente Rudolf Hess foi estrangulado por detrás por outra pessoa”.

O vôo de Rudolph Hess

Especulações a respeito da verdade por trás do vôo do vice-führer alemão para a Inglaterra, em maio de 1941.

A Batalha da Inglaterra é lembrada até hoje como “o mais belo momento” da nação, uma época de sacrifícios e heroísmo. Em dez de maio de 1941 as bombas da Luftwaffe causaram grande destruição no coração de Londres. Naquela mesma noite um solitário piloto alemão penetrou as defesas costeiras da Inglaterra e se lançou de pára-quedas, caindo próximo à propriedade do duque de Hamilton em Lanarkshire, na Escócia.

Um fazendeiro escocês encontrou o piloto sofrendo com um tornozelo torcido, e armado com um garfo para feno, o tomou sob guarda. O piloto disse apenas que estava “em missão especial” e precisava encontrar o duque.

O duque chegou às 10 da manhã do dia seguinte. Falando em inglês, o piloto disse a Hamilton que Hitler desejava dar um fim à guerra; sua missão, ao voar à Grã-Bretanha, era tentar entabular conversações de paz com Hamilton e outros ingleses simpatizantes da idéia. O piloto se identificou para Hamilton: era Rudolf Hess, o vice-führer do Reich alemão.

Como era de se esperar, o vôo de Hess foi assunto de manchetes sensacionais pelo mundo afora. Hess era chefe do partido Nazista, praticamente co-autor do Mein Kampf e membro do círculo mais íntimo de Hitler. O curioso é que as reações oficiais que logo se seguiram, tanto em Berlim quanto em Londres, foram praticamente idênticas: Hess era um louco, embora talvez um pouco idealista. Como poderia ter agido por conta própria, sem o conhecimento nem o apoio de Hitler, ou de Churchill, ou de qualquer outro responsável nos dois governos?

No início muitas pessoas duvidaram da versão oficial de que Hess agira sozinho. Algumas acreditavam que Hitler enviara seu velho amigo e parceiro para fazer a paz com a Inglaterra, talvez com o intuito de lançar todos os seus exércitos contra a Rússia. Outros suspeitavam de um segredo ainda mais estranho: que Hess não surgira do nada, mas tinha boas razões para crer que encontraria amigos, incluindo alguns de altas posições no governo inglês.

Se Hitler sabia de algo acerca da missão de Hess, não demonstrava. Testemunhas disseram que do seu retiro das montanhas, onde reunira seus principais auxiliares para administrar a crise, o Führer parecia estar sofrendo muito, numa conjuntura de grande confusão. O chefe do Estado-Maior, General Franz Halder, escreveu em seu diário: “Hitler foi pego completamente de surpresa”.

Quando ficou claro que Hess estava na mão dos ingleses, Berlim logo emitiu uma série de comunicados na imprensa lamentando “as alucinações de Hess” e garantindo ao mundo todo que estas não teriam qualquer efeito sobre a guerra.

Hitler ordenou a prisão de várias pessoas próximas a Hess, incluindo o sub-camareiro do Führer, Karlheinz Pintch, e seu amigo e conselheiro não-oficial, Albrecht Haushofer. Este admitiu à Gestapo que havia conversado com Hess sobre o interesse mútuo em fazer a paz com a Inglaterra, e a maioria dos historiadores acredita que foi ele quem inculcou em Hess a idéia de empreender aquela missão de paz. Haushofer também reconheceu que havia conversado com Hess sobre seus numerosos amigos ingleses, inclusive o duque de Hamilton.

Foram presos também vários astrólogos e videntes por toda a Alemanha. Segundo os comunicados da imprensa nazista, o distúrbio mental de Hess pode tê-lo deixado vulnerável à influência destes adivinhos.

É difícil dizer quanto esse rebuliço foi real e o quanto foi apenas um espetáculo para o público. Os nazistas eram mestres da propaganda, e o caso Hess exigiu todo o seu talento. Para os alemães, enviar, em plena Batalha da Inglaterra, um emissário de paz àquele país - e ainda mais alguém de alto nível, como Hess - decerto seria interpretado como sinal de fraqueza. Estava claro, portanto, para Hitler, que era crucial se distanciar de Hess.

Para algumas testemunhas, como Pintsch, Hitler estava representando, pois sabia muito mais acerca da missão do que aparentava. Tanto a esposa de Haushofer quanto a de Hess, Ilse, disseram ter a impressão de que Hess discutira com Hitler a idéia geral de uma missão de paz. Ambas, porém, achavam que Hitler não tinha conhecimento de detalhe algum. Outros recordaram, mais tarde, que em 5 de maio houve um encontro entre Hitler e Hess, no qual ambos levantaram a voz, exaltados. Talvez isso tenha ocorrido quando Hess contava seu plano a Hitler.

Entre os que nunca engoliram a versão oficial, estava Stalin. Apesar do pacto de não-agressão, assinado em 39, o dirigente soviético não confiava em Hitler. Quando as tropas alemãs invadiram a Rússia, em junho - apenas um mês depois do vôo de Hess - Stalin viu nisso a prova de que tinha razão.

Acreditava que Hess devia fazer parte de uma conspiração anglo-alemã para dar um fim à Batalha da Inglaterra e juntar forças para destruir os bolcheviques.

Stalin nunca renunciou às suas suspeitas. Segundo Churchill, em sua História da Segunda Guerra Mundial, escrito em 1950, Stalin o inquiriu acerca de Hess em 44, durante o encontro que tiveram em Moscou. Churchill repetiu a versão oficial: Hess era um “caso clínico”, cuja escapada não tinha nada a ver com a marcha dos acontecimentos. Stalin não acreditou, Churchill, irritado, insistiu que havia exposto os fatos como os conhecia, e esperava que assim fossem aceitos. Stalin respondeu: “Há muita coisa acontecendo aqui mesmo na Rússia que nosso serviço secreto nem sempre me conta”. O significado dessa frase era claro: no complô de Hess estariam envolvidos não apenas alemães, mas também espiões ingleses.

Quando a URSS se desmantelou e foram abertos muitos arquivos da KGB, os historiadores ocidentais puderam, pela primeira vez, ter noção do tipo de informações que causavam as suspeitas de Stalin. Em 1991 o historiador inglês John Costelo publicou os resultados de seus exames dos arquivos da KGB sobre Hess. A conclusão de Costello foi que Stalin tinha razão.

Os arquivos continham o relatório de um agente soviético que assim falava do vôo de Hess: “Não foi o ato de um louco, mas sim a realização de uma conspiração secreta da liderança nazista a fim de fazer a paz com a Inglaterra antes de entrar em guerra com a Rússia”. Outro agente começa dizendo explicitamente: “A história que circula, segundo a qual Hess chegou inesperadamente na Grã-Bretanha, não é correta”.

De acordo com os espiões soviéticos, Hess se correspondeu durante muito tempo com o duque de Hamilton - embora este não soubesse. Parece que os espiões ingleses interceptaram todas as cartas de Hess para Hamilton. Eles enviaram respostas em nome de Hamilton, incentivando Hess a vir. Foi tudo um truque que os ingleses aplicaram ao vice-Führer, sem que este suspeitasse de nada.

Costello encontrou teorias semelhantes num arquivo do Serviço de Informações americano, datado de 1941 e aberto ao público em 1989. Na verdade, os relatórios soviéticos e americanos eram tão parecidos que Costello chegou à conclusão que deviam ter a mesma fonte. Ambos, por exemplo, citam o mesmo gracejo de um médico que examinara o piloto alemão logo após a captura. Quando o piloto se identificou como Rudolf Hess, o médico respondeu: “No hospital também temos um paciente que jura que é o Rei Salomão”.

Para Costello, essa nova evidência desfez o mito da heróica Inglaterra suportando bravamente as investidas nazistas. Em lugar disso, o governo inglês aparece como profundamente ambivalente em relação à guerra. Havia um importante “partido da paz” trabalhando ativamente para substituir Churchill por outro primeiro-ministro, disposto a apaziguar Hitler. Os opositores de Churchill tinham pouca esperança de que a Grã-bretanha pudesse derrotar a Alemanha. Ainda faltavam meses para Pearl Harbor, e com a isolacionista política americana fazendo forte oposição à entrada na guerra, a única certeza era de que os ingleses continuariam a lutar sozinhos, perdendo vidas e bens. Para Costello, não fazia sentido que Hess, por mais fanático, ingênuo ou louco que fosse, se atirasse de pára-quedas sem ter bons motivos para crer que o Duque de Hamilton estaria esperando para encontrá-lo.

Outros, em especial o historiador britânico Peter Padfield, acham convincente a hipóteses de que os ingleses atraíram Hess à Inglaterra; mas consideram que essa foi provavelmente uma operação do Serviço Secreto, e não um complô anti-Churchill. Assim como Stalin, Padfield suspeitava que a missão de Hess fazia parte de uma campanha britânica planejada para convencer Hitler a abandonar a batalha da Inglaterra e concentrar suas forças contra a Rússia. Padfield especulava que também Hitler tinha suas razões para enviar seu vice à Inglaterra. Hitler pode ter calculado que se a missão de paz falhasse, Stalin acreditaria que isso era sinal que a Batalha da Inglaterra continuaria. Assim, ele teria chance de pegar os soviéticos de surpresa.
Por essa teoria, Hess seria um joguete tanto nas mãos de Churchill quanto nas de Hitler. Churchill esperava persuadir Hitler a marchar para o Leste, em direção à Rússia, enquanto Hitler esperava convencer Stalin de que iria arremeter em direção ao Ocidente.

Embora seus livros sejam atraentes, nem Costello nem Padfield conseguiram mudar o consenso sobre a missão de Hess. Isso por uma boa razão: o fato de os espiões soviéticos e americanos concordarem sobre algum fato não significa que esse fato seja verídico. É mais provável que ambos os lados tenham colhido suas informações nas mesmas fontes - e essas fontes estavam erradas. A história completa deve vir à tona em 2017, quando todos os documentos do governo britânicos sobre Hess serão revelados.

Entretanto, segundo arquivos já abertos do Serviço Secreto Britânico é certo que o amigo de Hess, Haushofer (embora não o próprio Hess) esteve em contato com o Duque de Hamilton. Algumas das cartas de Haushofer indicam que uma estreita relação entre este e Hamilton.

Em setembro de 1940 Haushofer escreveu a Hamilton convidando os “amigos em altos postos” a “achar significado no fato de que posso lhe perguntar se você teria tempo para uma conversa”. É claro que Haushofer, provavelmente com o conhecimento de Hess, estava sondando as possibilidades de entabular conversações de paz.

Essa carta de Haushofer, porém, nunca chegou às mãos de Hamilton. Foi interceptada pelo Serviço Secreto Britânico, que a guardou durante cinco meses. Não se sabe bem o motivo disto - talvez por Churchill já ter declarado que as conversações de paz estavam fora de questão. Ou talvez o serviço secreto tenha respondido em nome de Hamilton, com o objetivo de atrair Haushofer, mas na verdade apanhando Hess na ratoeira.

Qualquer que tenha sido a isca, está claro que o vice do Führer estava ansioso por mordê-la. Hess sabia da admiração que Hitler nutria pela Inglaterra, mesmo a contragosto, e de seu ódio incontrolável pela Rússia bolchevique. Não importa se Hess já discutira explicitamente esse assunto com Hitler; ele sabia que uma missão de paz bem sucedida com certeza agradaria o Führer. Não só isso; daria a Hess a oportunidade de reaver parte do poder que lhe escapava. Ele já fora o Número Dois de Hitler nos primeiros tempos do nazismo, mas por volta de 1941 essa influência ia declinando. Sofria com as manobras de vários rivais políticos, como Martin Borman, e pelo fato de que Hitler estava absorvido por assuntos militares.

A melhor explicação para os motivos de Hess deve ser a sugerida por Churchill em 1950. Depois de descrever o ciúme que Hess nutria pelos generais, que aos poucos o eclipsavam, imaginou o que devia se passar pela sua cabeça: “Os generais têm seu papel a desempenhar. Mas eu, Rudolf Hess, vou superar todos eles, numa façanha de extrema dedicação, e dar ao meu Führer um tesouro maior do que eles todos juntos dariam. Vou à Inglaterra e conseguirei a paz.”

O plano de paz de Hess estava fadado ao fracasso. Motivado pela ambição e lealdade, e talvez iludido pelo Serviço Secreto britânico, não conseguiu perceber que em 1941 a época de tentar fazer a paz já tinha passado. Não só Churchill, mas também todo o povo britânico estava agora firmemente empenhado na guerra.

Churchill afirmou que a missão de Hess foi totalmente irrelevante para o curso da guerra. Isso ficou claro para ele desde o momento em que soube da aterrissagem de Hess na Grã-bretanha. Depois do encontro de Hess com o Duque de Hamilton, este se apressou a apresentar um relatório ao primeiro ministro. Churchill, que planejava ir ao cinema naquela noite, ouviu impaciente e respondeu: “Bem, com Hess ou sem Hess, vou assistir aos Irmãos Marx.”

Palavra final de Rudolf Hess no Tribunal de Nurenberg, a 31 de agosto de 1946.

“Eu não me defendo dos acusadores, aos quais eu abjudico o direito de levantar acusações contra mim e contra meus compatriotas. Eu não discuto assuntos que abordam coisas de responsabilidade interna dos alemães e, portanto, não interessam aos estrangeiros. Eu não protesto contra declarações que têm por objetivo atingir minha honra, ou a do povo alemão. Eu vejo tais acusações dos adversários, antes de tudo, como prova de honra.

Foi-me concedido atuar por muitos anos de minha vida sob o maior filho que meu povo produziu em sua história milenar. Mesmo se eu pudesse, eu não iria querer apagar esta época de minha existência. Eu estou feliz em saber que eu cumpri com meu dever perante meu povo, meu dever como alemão, como nacional-socialista, como fiel seguidor de meu Führer. Eu não me arrependo de nada.

Estivesse eu novamente no início, eu iria agir como agi, mesmo se eu soubesse que ao final queima uma fogueira para minha morte nas chamas. Indiferente ao que as pessoas fazem, em algum momento eu estarei perante o juízo final. Perante ele, eu responderei, e eu sei que ele me absolverá”.

Fonte deste artigo:
- Mistérios da História - Paul Aron - Manole - publicado no site: Grandes Guerras
- www.inacreditavel.com.br

1961: Construção do Muro de Berlim

13 de Agosto de 2009 @ 14:07 por admin

Na madrugada de 13 de agosto de 1961, guardas da RDA (República “Democrática” Alemã) começaram a fechar com arame farpado e concreto a fronteira que separava as partes oriental e ocidental de Berlim, bem como Berlim Ocidental do território da Alemanha Oriental.

The Berlin Wall  1963 - The Berlin Wall  1963

O funcionário do Serviço de Defesa da Constituição de Berlim que estava de plantão no segundo fim de semana de agosto de 1961 não esperava ocorrências extraordinárias. Mas já na madrugada de sábado para o domingo, dia 13, ele foi surpreendido à 1h54 pela notícia de que o tráfego de trens entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental fora suspenso.

A abrangência do fato, porém, só ficou clara quando o dia amanheceu. A República Democrática Alemã (RDA) dera início à construção de um muro entre as duas partes de Berlim, cortando o acesso de 16 milhões de alemães ao Ocidente. “A fronteira em que nos encontramos, com a arma nas mãos, não é apenas uma fronteira entre um país e outro. É a fronteira entre o passado e o presente”, era a interpretação ideológica do governo alemão-oriental.

Reação às fugas

A RDA via-se com razão ameaçada em sua existência. Cerca de 2 mil fugas diárias tinham sido registradas até aquele 13 de agosto de 1961, ou seja, 150 mil desde o começo do ano e mais de 2 milhões desde que fora criado o “Estado dos trabalhadores e dos camponeses”. O partido SED puxou o freio de emergência com o auxílio de arame farpado e concreto, levantando um muro de 155 quilômetros de extensão que interrompia estradas e linhas férreas e separava famílias.

Ainda dois meses antes, Walter Ulbricht, chefe de Estado e do partido, desmentira boatos de que o governo estaria planejando fechar a fronteira: “Não tenho conhecimento de um plano desses, já que os operários da construção estão ocupados levantando casas e toda a sua mão-de-obra é necessária para isso. Ninguém tenciona construir um muro”.

Nos bastidores, porém, corriam os preparativos, sob a coordenação de Erich Honecker e com a bênção da União Soviética. Guardas da fronteira e batalhões fiéis ao politburo encarregaram-se da tarefa. Honecker não tinha a menor dúvida: “Com a construção da muralha antifascista, a situação na Europa fica estabilizada e a paz, salvaguardada”.

As potências ocidentais protestaram, mas nada fizeram. Para os berlinenses de ambos os lados da fronteira, a brutalidade do muro passou a fazer parte do cotidiano. Apenas 11 dias após a construção, morreu pela primeira vez um alemão-oriental abatido a tiros durante tentativa de fuga. A última vítima dos guardas da fronteira foi Chris Gueffroy, morto em fevereiro de 1989.

Queda após 28 anos

Por mais de duas décadas, o Muro de Berlim foi o símbolo por excelência da Guerra Fria, da bipolarização do mundo e da divisão da Alemanha.

Ainda no início de 1989, Honecker, no poder desde 1971, manifestava confiança em sua estabilidade: “O muro ainda existirá em 50 ou em cem anos, enquanto não forem superados os motivos que levaram à sua construção”.

Apenas dez meses depois, em 9 de novembro daquele ano, os habitantes de ambas as partes da cidade caíam incrédulos nos braços uns dos outros, festejando o fim da muralha que acabou sendo derrubada pouco a pouco e vendida aos pedaços como suvenir. Menos de um ano depois, o país dividido desde o fim da Segunda Guerra foi unificado, mas a verdadeira integração entre as duas partes é um processo que ainda não terminou.

DW.De

As mais espetaculares tentativas de fuga

13 de Agosto de 2009 @ 14:05 por admin

Sempre houve quem tentasse fugir atravessando o Muro das mais variadas formas: através de túneis, carros, barcos, aviões ou simplesmente com escadas. Alguns tiveram sucesso. Outros, como Chris Gueffroy, um dos últimos a morrer na fuga, não conseguiram vencer a barreira. Casos curiosos ilustram o que foi a vida na fronteira.

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■ 5 de dezembro de 1961 – Com uma locomotiva e alguns vagões, seis homens, dez mulheres e sete crianças partiram da estação ferroviária Albrechtshof, no Leste, rumo a Spandau, em Berlim Ocidental.

■ 24 de janeiro de 1962 – Pelo porão de uma casa bem na fronteira, 28 pessoas fugiram através de uma galeria subterrânea que passava por baixo de Oranienstrasse, no Ocidente. Este foi o primeiro dos muitos túneis de fuga construídos próximos à fronteira.

■ 8 de junho de 1962 – 14 alemães orientais seqüestraram um barco de passageiros no Spree, atravessando a fronteira pelo rio sob um tiroteio dos soldados da RDA.

■ 17 de agosto e 1962 – O pedreiro Peter Fechter foi ferido mortalmente por um tiro, ao tentar transpor o Muro na rua Zimmerstrasse. Os policiais da fronteira de Berlim Ocidental presenciaram sem poder prestar socorro ao jovem que se esvaía em sangue.

■ 26 de dezembro de 1962 – Uma metralhadora não pôde deter um ônibus blindado que cruzou em disparada o posto de controle Drewitz/Dreilindern, transportando duas famílias.

■ 5 de outubro de 1964 – 57 homens, mulheres e crianças rastejaram por mais de 150 metros em um túnel ligando a Strelitzer Strasse e Bernauer Strasse em Wedding. Na fuga, um soldado foi morto a tiros. Entre os que ajudaram a organizar a fuga, estava Reinhard Furrer, que mais tarde se tornou astronauta.

■ 29 de julho 1965 – Partindo do prédio dos ministérios, uma família de Leipzig fugiu em um funicular de fabricação amadora, passando por cima do Muro. Eles desceram no bairro de Kreuzberg, perto da fronteira, em Berlim Ocidental, onde ajudantes ocidentais haviam fixado o cabo.

■ 29 de agosto de 1986 – Na calada da noite, três berlinenses orientais irromperam a fronteira no Checkpoint Charlie, dirigindo um caminhão com um carregamento de pedras.

■ 5 de fevereiro de 1989 – Nove meses antes da queda do Muro, Chris Gueffroy, de 20 anos, levou um tiro pelas costas disparado por um guarda da fronteira. Ele havia tentado cruzar as barreiras perto do bairro ocidental de Neukölln.

■ 8 de março de 1989 – Winfried Freudenberg, de 32 anos, foi o último para quem transpor o Muro foi fatal. Ele morreu na queda de seu balão de gás de fabricação caseira no bairro de Zehlendorf.

■ 26 de maio de 1989 – Bem em frente ao prédio do Reichstag (Parlamento Alemão), situado no limite da fronteira, mas já do lado ocidental, aterrissaram dois ultraleves com um fugitivo de 34 anos de idade e as pessoas que o ajudaram na fuga.

Foto emblemática é colocada sob suspeita

7 de Agosto de 2009 @ 13:47 por admin

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Imagem da Guerra Civil Espanhola seria montagem, segundo especialistas

Uma das imagens mais famosas da história da fotografia – Militante caído, que mostra o flagrante de um homem sendo atingido por um tiro durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) – seria uma fraude.

Éo que afirmam especialistas espanhóis, depois de uma análise detalhada da imagem, feita pelo húngaro Robert Capa (1913-1954). A fotografia foi publicada pela primeira vez em setembro de 1936, na revista francesa Vu, mas foi alçada à fama quando saiu em outra publicação, a americana Life. O flagrante catapultou a carreira de Capa como o mais importante fotógrafo de guerra do mundo e, para os espanhóis, imortalizou o horror do conflito.

Após examinar a foto e outras imagens expostas na mostra Isto é a Guerra, no Museu de Arte de Barcelona, quatro “investigadores” concluíram que ela, para começar, sequer foi tirada no local apontado por Capa, o Cerro Muriano, no front de Córdoba, onde as forças do general Francisco Franco e homens leais ao governo republicano travavam uma dura batalha. Na verdade, teria sido feita a 55 quilômetros de distância, em uma área onde não havia combates no momento. O historiador Francisco Moreno estudou os acidentes geográficos que aparecem na fotografia mais famosa de Capa, em outras 34 atribuídas a ele e em seis clicadas por sua companheira, Gerda Taro – como a forma de sete colinas –, e concluiu que coincidem com um local a leste da localidade de Espejo.

– Ficou claro rapidamente para nós que, entre as novas fotos, havia quatro que revelavam o lugar exato onde Capa fez as imagens – disse o cineasta Raúl Riebenbauer, outro dos “investigadores”.

Para piorar, tudo indica que o militante republicano mostrado na fotografia também não levou um tiro. Riebenbauer e seus colegas examinaram a foto com o apoio de médicos legistas e levantaram diversas dúvidas. Entre outros pontos, não encontraram evidências de um ferimento a bala. Também provocou suspeitas o fato de a Vu ter publicado outra foto de um segundo homem morto no mesmo local.

Capa, cujo lema era “se as suas fotografias não são suficientemente boas, é porque você não está perto o suficiente”, morreu no Vietnã, em 1954, aos 40 anos, ao pisar em uma mina.

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Guerra do Pacífico - Bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki

6 de Agosto de 2009 @ 12:00 por admin

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Imagem histórica do cogumelo atômico provocado pela explosão nuclear sobre Nagasaki.

Os Bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki foram ataques nucleares ocorridos no final da Segunda Guerra Mundial contra o Império do Japão realizados pela Força Aérea dos Estados Unidos da América na ordem do presidente americano Harry S. Truman nos dias 6 de agosto e 9 de agosto de 1945. Após seis meses de intenso bombardeio em 67 outras cidades japonesas, a bomba atômica “Little Boy” caiu sobre Hiroshima numa segunda-feira. Três dias depois, no dia 9, a “Fat Man” caiu sobre Nagasaki. Historicamente, estes são até agora os únicos ataques onde se utilizaram armas nucleares.

As estimativas do número total de mortos variam entre 140 mil e 220 mil, sendo algumas estimativas consideravelmente mais elevadas quando são contabilizadas as mortes posteriores devido à exposição à radiação. Mais de 90% dos mortos eram civis.

As explosões nucleares, a destruição das duas cidades e as centenas de milhares de mortos em poucos segundos levaram o Império do Japão à rendição incondicional em 15 de agosto de 1945, com a subsequente assinatura oficial do armistício em 2 de setembro na baía de Tóquio e o fim da II Guerra Mundial.

O papel dos bombardeios atômicos na rendição do Japão, assim como seus efeitos e justificações, foram submetidos a muito debate. Nos EUA, o ponto de vista que prevalece é que os bombardeios terminaram a guerra meses mais cedo do que haveria acontecido, salvando muitas vidas que seriam perdidas em ambos os lados se a invasão planejada do Japão tivesse ocorrido. No Japão, o público geral tende a crer que os bombardeios foram desnecessários, uma vez que a preparação para a rendição já estava em progresso em Tóquio. Pela grande quantidade de vítimas civis, o bombardeamento tem sido considerado por uma minoria de entidades como um genocídio ou crime contra a humanidade, embora os países e a ONU normalmente à considerem um ato de bárbarie, nunca as classificaram nestes termos

Prelúdio aos bombardeios

Os Estados Unidos, com auxílio do Reino Unido e Canadá, projectaram e construíram as bombas sob o nome de código Projeto Manhattan inicialmente para o uso contra a Alemanha Nazista. O primeiro dispositivo nuclear, chamado Gadget, foi testado em Los Alamos, no Novo México, a 16 de Julho de 1945. As bombas de Hiroshima e Nagasaki foram a segunda e terceira a serem detonadas e as únicas que já foram empregadas como armas de destruição em massa.

Hiroshima e Nagasaki não foram as primeiras cidades do Eixo a serem bombardeadas pelas forças Aliadas, nem foi a primeira vez que tais bombardeamentos causaram um grande número de mortes civis e foram (ou, antes, viriam a ser) considerados controversos.

O bombardeamento de Tóquio em março de 1945 poderá ter matado até 100 mil pessoas. Cerca de sessenta cidades japonesas tinham, a essa altura, sido destruídas por uma campanha aérea massiva, incluindo grandes ataques aéreos na capital e em Kobe. Na Alemanha, o bombardeio Aliado de Dresden teve como resultado quase 30 mil mortes.

Ao longo de três anos e meio de envolvimento directo dos E.U.A. na II Guerra Mundial, aproximadamente duzentas mil vidas estado-unidenses tinham sido perdidas, cerca de metade das quais na guerra contra o Japão. Nos meses anteriores aos bombardeios, da Batalha de Okinawa resultaram as mortes de 50-150 mil civis, 100-110 mil militares japoneses e cerca de 16 mil soldados dos EUA. Esperava-se que uma invasão do Japão traria um número de baixas muitas vezes superior àquele de Okinawa.[carece de fontes?]

A decisão de jogar as bombas sobre o Japão foi tomada pelo então Presidente Harry Truman, que havia substituído havia poucos meses no cargo o falecido Franklin Delano Roosevelt. A sua intenção pública de ordenar os bombardeamentos foi de trazer um fim célere à guerra por inflicção de destruição e terror de subsequente destruição, obrigando o Japão a apresentar a sua rendição. Em 26 de Julho, Truman e outros líderes aliados redigiram a Declaração de Potsdam, a qual delineava os termos da rendição do Japão:

“…O poder que agora converge sobre o Japão é incomensuravelmente superior ao que, quando aplicado ao Nazis resistentes, semeou de forma necessária a destruição pelas terras, pela indústria e forma de vida de todo o povo alemão. A plena aplicação do nosso poder militar, apoiado pela nossa determinação, significará a inevitável e completa destruição das forças armadas japonesas e a igualmente inevitável e completa devastação da pátria japonesa…”

“…Apelamos ao Governo do Japão que proclame agora a rendição incondicional de todas as suas forças armadas e o fornecimento de garantias próprias e adequadas da sua boa fé em tal acção. A alternativa para o Japão é a rápida e total destruição.”

No dia seguinte, jornais japoneses noticiavam que a declaração, cujo texto tinha sido radiodifundido e largado em papéis sobre o Japão, tinha sido rejeitada. A bomba atómica era ainda um segredo fortemente guardado e não mencionado na declaração.

Escolha dos alvos

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A escolha dos “Alvos” foi feita a partir de interesses militares, mas sobretudo de cunho político-econômico, pois Hiroshima e Nagasaki eram as regiões mais desenvolvidas industrialmente do Japão na época, e com a chegada do fim da Segunda guerra, o Japão seria a única potência que poderia desequilibrar o fluxo de capitais e mercadorias, por isso se escolheu estes como alvo. O Conselho de Alvos (em inglês: Target Committee) de Los Alamos recomendou, a 10 e 11 de Maio de 1945, as cidades de Kyoto, Hiroshima, Yokohama e o arsenal em Kokura como possíveis alvos. O Conselho rejeitou o uso da arma contra um alvo estritamente militar devido à hipótese de falhar um pequeno alvo que não fosse rodeado por uma grande área urbana

Os efeitos psicológicos no Japão eram de enorme importância para os membros do Conselho. Também concordaram entre si que o uso inicial da arma deveria ser suficientemente espectacular e importante por forma a ser reconhecido internacionalmente. O Conselho sentiu que Kyoto, sendo um dos centros intelectuais e religioso do Japão, tinha uma população “melhor preparada para compreender o significado da arma”. Hiroshima foi escolhida devido à sua grande dimensão e ao potencial de destruição que poderia demonstrar após ser atingida.

O Secretário da Guerra Henry Stimson excluiu Kyoto da lista devido à sua importância cultural e religiosa, enfrentando objecções do General Leslie Groves, administrador do Projecto Manhattan. De acordo com o professor Edwin Reischauer, Stimson “tinha conhecido e admirado Kyoto desde a altura em que aí tinha passado a sua lua-de-mel, várias décadas antes”. O comandante da Força Aérea,Carl Spaatz, elegeu Hiroshima, Kokura, Niigata e Nagasaki como alvos, pela ordem indicada.

Hiroshima durante a 2ª Guerra Mundial

Na época do seu bombardeamento, Hiroshima era uma cidade de considerável valor industrial. Alguns aquartelamentos militares estavam localizados nas suas imediações, tais como os quartéis-generais da Quinta Divisão e o 2º Quartel-General do Exército Geral do Marechal-de-Campo Shunroku Hata, o qual comandou a defesa de todo o sul do Japão. Hiroshima era considerada uma base menor de pouca importância de fornecimentos e de logística para os militares japoneses. A cidade era, com efeito, um centro de comunicações, um ponto de armazenamento, e uma zona de reunião para tropas. Era uma das cidades japonesas deixadas deliberadamente intocadas pelos bombardeamentos estado-unidenses, proporcionando um ambiente perfeito para medir o dano causado pela bomba atómica na luz do dia.

O centro da cidade continha vários edifícios de betão armado e outras estruturas mais ligeiras. A área à volta do centro estava congestionada por um denso aglomerado de oficinas de madeira, construídas entre as casas japonesas. Algumas fábricas de maior dimensão estavam estabelecidas no limite urbano. As casas eram, na sua maioria, de madeira com topos de telha, sendo também de madeira vários dos edifícios fabris. A cidade era assim, no seu todo, extremamente susceptível a danos por fogo.

A população tinha atingido um máximo de mais de 380.000 pessoas no início da guerra, mas antes de agosto de 1945 tinha já começado a diminuir firmemente, devido a uma evacuação sistemática ordenada pelo governo japonês. Na época do ataque, o número de habitantes era de aproximadamente 255.000 pessoas. Este número é baseado no registo populacional que o governo de então utilizava para calcular o número de rações, pelo que as estimativas de trabalhadores e tropas adicionais que entravam na cidade poderão ser para sempre inexatas

O bombardeamento

Hiroshima foi o alvo principal da primeira missão de ataque nuclear dos E.U.A., a 6 de Agosto de 1945. O B-29 Enola Gay, nome da mãe do piloto, Coronel Paul Tibbets, decolou da base aérea de Tinian no Pacífico Oeste, a aproximadamente 6 horas de voo do Japão.

O dia 6 foi escolhido por ter havido anteriormente alguma formação de nuvens sobre o alvo. Na altura da decolagem, o tempo estava bom e tanto a tripulação como o equipamento funcionaram adequadamente. O capitão da Marinha William Parsons armou a bomba durante o voo, já que esta se encontrava desarmada durante a descolagem para minimizar os riscos. O ataque foi executado de acordo com o planejado até ao menor detalhe, e a bomba de gravidade, uma arma de fissão de tipo balístico com 60 kg de urânio-235, comportou-se precisamente como era esperado.

Cerca de uma hora antes do bombardeamento, a rede japonesa de radar de aviso prévio detectou a aproximação de um avião americano em direcção ao sul do Japão. O alerta foi dado e a radiodifusão foi suspensa em várias cidades, entre elas Hiroshima.

O avião aproximou-se da costa a grande altitude. Cerca das 8:00, o operador de radar em Hiroshima concluiu que o número de aviões que se aproximavam era muito pequeno - não mais do que três, provavelmente - e o alerta de ataque aéreo foi levantado. Para poupar combustível, os japoneses tinham decidido não interceptar formações aéreas pequenas, as quais presumiam ser, na sua maioria, aviões meteorológicos. Os três aviões em aproximação eram o Enola Gay, The Great Artist (em português, “O Grande Artista”) e um terceiro avião sem nome na altura mas que viria a ser mais tarde batizado de Necessary Evil (”Mal Necessário”). O primeiro avião transportava a bomba, o segundo tinha como missão gravar e vigiar toda a missão, e o terceiro foi o avião encarregado de fotografar e filmar a explosão.

No aviso radiodifundido foi dito às populações que talvez fosse aconselhável recolherem aos abrigos antiaéreos caso os B-29 fossem realmente avistados, embora nenhum ataque fosse esperado para além de alguma missão de reconhecimento. Às 8:15, o Enola Gay largou a bomba nuclear sobre o centro de Hiroshima. Ela explodiu a cerca de 600 m do solo, com uma explosão de potência equivalente a 13 kton de TNT, matando um número estimado de 70.000 a 80.000 pessoas instantaneamente. Pelo menos 11 prisioneiros de guerra dos E.U.A. morreram também. Os danos infraestruturais estimam-se em 90% de edifícios danificados ou completamente destruídos

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Maquete de Hiroshima - Antes e depois…
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Percepção japonesa do bombardeamento

operador de controle da Japanese Broadcasting Corporation, em Tóquio, reparou que a estação de Hiroshima tinha saído do ar. Ele tentou reestabelecer o seu programa usando outra linha telefónica, mas esta também falhou. Cerca de vinte minutos mais tarde, o centro telegráfico de Tóquio verificou que a principal linha telegráfica tinha deixado de funcionar logo ao norte de Hiroshima. De algumas pequenas estações de caminho-de-ferro a menos de 16 km da cidade chegaram notícias não oficiais e confusas de uma terrível explosão em Hiroshima. Todas estas notícias foram transmitidas para o Quartel-General do Estado-Maior japonês.

Bases militares tentaram repetidamente chamar a Estação de Controle do Exército em Hiroshima. O silêncio completo daquela cidade confundiu os homens do Quartel-General; eles sabiam não ter ocorrido qualquer grande ataque inimigo e que não havia uma grande quantidade de explosivos em Hiroshima naquela altura. Um jovem oficial do Estado-Maior japonês foi instruído para voar imediatamente para Hiroshima, para aterrar, observar os danos, regressar a Tóquio e apresentar ao Estado-Maior informação fiável. A opinião mais ou menos geral, no Quartel-General, era de que nada de importante tinha ocorrido, que tudo não passava de um terrível rumor deflagrado por algumas centelhas de verdade.

O oficial dirigiu-se ao aeroporto e descolou em direcção a sudoeste. Após voar durante aproximadamente três horas, ainda a uma distância de 160 km de Hiroshima, ele e o seu piloto viram uma imensa nuvem de fumo da bomba. Na solarenga tarde, os restos de Hiroshima ardiam. O avião em breve chegou à cidade, à volta da qual ambos fizeram círculos sem acreditar no que viam. Uma grande cicatriz no solo ainda a arder, coberto por uma pesada nuvem de fumo, era tudo o que restava. Aterraram a sul da cidade e o oficial, após contactar com Tóquio, começou imediatamente a organizar medidas de socorro.

O conhecimento por parte de Tóquio do que realmente tinha causado o desastre veio do anúncio público da Casa Branca, em Washington, dezesseis horas após o ataque nuclear a Hiroshima.

O envenenamento por radiação e/ou necrose causaram doença e morte após o bombardeamento em cerca de 1% dos que sobreviveram à explosão inicial. Até ao final de 1945, mais alguns milhares de pessoas morreram devido a envenenamento por radiação, aumentando o número de mortos para cerca de 90.000. Desde então, cerca de mais 10.000 pessoas morreram devido a causas relacionadas com radiação.

De acordo com a Cidade de Hiroshima, a 6 de Agosto de 2005, o número total de mortos entre as vítimas do bombardeamento era de 242.437.[5] Esse valor inclui todas as pessoas que estavam na cidade quando a bomba explodiu, ou que foram mais tarde expostas a cinza nuclear e que mais tarde morreram.

Eventos de 7 a 9 de Agosto

Após o bombardeamento a Hiroshima, o Presidente Truman anunciou: “Se eles não aceitam os nossos termos, podem esperar uma chuva de ruína vinda do ar nunca antes vista nesta terra.” A 8 de Agosto de 1945, panfletos foram largados e avisos foram dados por intermédio da Rádio Saipan. A campanha de panfletos já durava há cerca de 1 mês quando estes foram largados sobre Nagasaki, a 10 de Agosto.

Um minuto depois da meia-noite de 9 de Agosto, hora de Tóquio, a infantaria, cavalaria e força aérea russas lançaram a invasão da Manchúria. Quatro horas mais tarde, as notícias de que a União Soviética tinha quebrado o seu pacto de neutralidade e declarado guerra ao Japão chegaram a Tóquio. O corpo de líderes do Exército Imperial Japonês recebeu a notícia com quase indiferença, subestimando grosseiramente a escala do ataque. Com o suporte do Ministro da Guerra, Anami Korechika, iniciaram os preparativos para impôr a lei marcial na nação com o objectivo de impedir que alguém tentasse fazer a paz.

Nagasaki durante a 2ª Guerra Mundial

A cidade de Nagasaki tinha, até à altura, sido um dos maiores e mais importantes portos de mar do sul do Japão, sendo, por isso, de grande importância em tempo de guerra devido à sua abrangente actividade industrial, incluindo a produção de canhões e munições, navios, equipamento militar, e outros materiais de guerra.

Em contraste com os vários aspectos modernos de Nagasaki, a grande maioria das residências era de construção japonesa antiquada, sendo a madeira a principal matéria-prima. Era frequente nem ser sequer usada argamassa na sua construção, e os telhados eram de telha simples. Muitos dos edifícios que albergavam a pequena indústria eram também feitos de madeira ou de outros materiais não concebidos para suportar explosões. Foi permitido a Nagasaki, durante muitos anos, crescer sem obedecer a um plano urbanístico; as residências eram construídas junto a edifícios de fábricas, sendo o espaço entre os edifícios mínimo. Esta situação repetia-se maciçamente por todo o vale industrial.

Até à explosão nuclear, Nagasaki nunca tinha sido submetida a bombardeamentos de larga escala. A 1 de Agosto de 1945, no entanto, várias bombas convencionais de elevada potência foram largadas sobre a cidade. Algumas delas atingiram os estaleiros e docas do sudoeste da cidade. Várias outras atingiram a Mitsubishi Steel and Arms Works e 6 bombas caíram na Escola de Medicina e Hospital de Nagasaki, com três impactos directos nos seus edifícios. Embora os danos destas bombas tenha sido relativamente pequeno, criou preocupação considerável em Nagasaki, tendo várias pessoas - principalmente crianças da escola -, por uma questão de segurança, sido evacuadas para áreas rurais reduzindo, assim, a população da cidade por altura do ataque nuclear.

A norte de Nagasaki existia um campo de prisioneiros de guerra britânicos. Estes encontravam-se a trabalhar em minas de carvão, pelo que apenas se inteiraram acerca do bombardeamento quando retornaram à superfície. Para eles, foi a bomba que lhes salvou as suas vidas. No entanto, pelo menos 8 prisioneiros pereceram, embora um número de até 13 possa ser possível e outros possivelmente linchados pela população:

- 1 britânico (esta última referência lista também pelo menos 3 outros prisioneiros que morreram a 9 de Agosto de 1945 mas não refere se foram baixas de Nagasaki)
- 7 holandeses (2 nomes conhecidos) morreram no bombardeamento.
- Pelo menos 2 prisioneiros, de acordo com o reportado, morreram no pós-guerra devido a câncro que se supõe ter sido causado pelo bombardeamento atómico.

O bombardeamento

Na manhã de 9 de Agosto de 1945, a tripulação do avião dos E.U.A. B-29 Superfortress, baptizado de Bockscar, pilotado pelo Major Charles W. Sweeney e carregando a bomba nuclear de nome de código Fat Man, deparou-se com o seu alvo principal, Kokura, obscurecido por nuvens. Após três vôos sobre a cidade e com baixo nível de combustível devido a problemas na sua transferência, o bombardeiro dirigiu-se para o alvo secundário, Nagasaki - a maior comunidade cristã do Japão. Cerca das 07:50 (fuso horário japonês) soou um alerta de raide aéreo em Nagasaki, mas o sinal de “tudo limpo” (all clear, em inglês) foi dado às 08:30. Quando apenas dois B-29 foram avistados às 10:53, os japoneses aparentemente assumiram que os aviões se encontravam em missão de reconhecimento, e nenhum outro alarme foi dado.

Alguns minutos depois, às 11:00, o B-29 de observação, baptizado de The Great Artiste (em português “O Grande Artista”), pilotado pelo Capitão Frederick C. Bock, largou instrumentação amarrada a três pára-quedas. Esta continha também mensagens para o Professor Ryokichi Sagane, um físico nuclear da Universidade de Tóquio que tinha estudado na Universidade da Califórnia com três dos cientistas responsáveis pelo bombardeamento atómico. Estas mensagens, encorajando Sagane a falar ao público acerca do perigo destas armas de destruição maçica, foram encontradas pelas autoridade militares, mas nunca entregues ao académico.

Às 11:02, uma aberta de última hora nas nuvens sobre Nagasaki permitiu ao artilheiro do Bockscar, Capitão Kermit Beahan, ter contacto visual com o alvo. A arma Fat Man, contendo um núcleo de aproximadamente 6,4 kg de plutónio-239, foi largada sobre o vale industrial da cidade. Explodiu 469 metros sobre o solo, a cerca de meio caminho entre a Mitsubishi Steel and Arms Works (a sul) e a Mitsubishi-Urakami Ordnance Works (a norte), os dois principais alvos na cidade. De acordo com a maior parte das estimativas, cerca de 40.000 dos 240.000 habitantes de Nagasaki foram mortos instantaneamente, e entre 25.000 a 60.000 ficaram feridos. No entanto, crê-se que o número total de habitantes mortos poderá ter atingido os 80.000, incluindo aqueles que morreram, nos meses posteriores, devido a envenenamento radiativo.

As bombas atômicas lançadas sobre o Japão e o fim da Segunda Guerra Mundial

Entre os historiadores ocidentais, em particular os norte-americanos, está difundida a opinião de que “as bombas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki puseram fim à Segunda Guerra Mundial”. Sem negar o importante efeito psicológico que tiveram os bombardeios atômicos, que precipitaram a capitulação do Japão, ao mesmo tempo não se pode aceitar que eles tenham sido os responsáveis pelo final da guerra. Eminentes políticos do ocidente também reconheciam isso. Por exemplo, Churchill dizia: “Seria errado supor que o destino do Japão tenha sido determinado pela bomba atômica.” Os fatos provam que o bombardeio atômico não levou à capitulação do Japão. O governo e o alto comando japoneses ocultaram do povo a notícia do uso da nova arma, atômica, pelos norte-americanos e continuaram preparando a batalha decisiva em seu território. O bombardeio de Hiroshima não foi debatido na reunião do Conselho Supremo do Comando de Guerra.

A advertência do presidente dos EUA, Truman, sobre sua disposição de assestar novos golpes nucleares contra o Japão, transmitida em 7 de agosto [de 1945] pelo rádio norte-americano, foi avaliada pelo alto comando japonês como “propaganda dos aliados”.

Ainda depois de Hiroshima ter sido reduzida a cinzas pelo fogo atômico, os militares japoneses continuaram afirmando que o Exército e a Marinha de Guerra imperiais eram capazes de continuar combatendo e, ao infligirem um sério dano ao adversário, poderiam assegurar ao Japão condições decentes de capitulação.

Segundo cálculos do Estado Maior norte-americano, para garantir a cobertura dos desembarques nas ilhas nipônicas seria preciso lançar nove bombas atômicas, no mínimo. Mas segundo se soube mais tarde, depois de destruídas Hiroshima e Nagasaki, os Estados Unidos não tinha outras bombas atômicas disponíveis, e sua fabricação levaria muito tempo.

“As bombas que lançamos eram as únicas de que dispúnhamos, e a velocidade de sua fabricação era muito lenta naquele tempo”, escreveria o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Stimson.

É evidente que com os bombardeios atômicos de cidades japonesas não se perseguiu nenhum objetivo militar importante. O general MacArthur, que durante a guerra teve sob seu comando as tropas aliadas no oceano Pacífico, reconheceria em 1960: “Não havia nenhuma necessidade militar de empregar a bomba atômica em 1945.” Tentando encobrir as reais finalidades do bombardeio atômico, Truman declarou em 9 de agosto de 1945 que o golpe atômico foi assestado “contra a base militar de Hiroshima” com a finalidade de “evitar vítimas entre a população civil”.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.