CAFAJESTES INGLÓRIOS

15 de Setembro de 2009 @ 14:14 por admin

Vem aí mais um sucesso de bilheteria para atestar a inclemente e interminável agonia de um povo. Quentin Tarantino, responsável por roteiro e direção, já tem ficha de bem sucedido com filmes de violência e agora parece que vai superar a si mesmo com Inglourious Basterds (o “e” é proposital). Deverá estrear em outubro nos nossos cinemas. É mais uma produção que se insere nesta classe que já constitui um gênero próprio como era o caso dos westerns de ontem. No lugar do índio pele-vermelha entrou o alemão/nazista, um como o outro extermináveis.

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O filme começa com Brad Pitt no papel do tenente Aldo Raine convocando oito voluntários, para com ele saltarem de paraquedas sobre a França ocupada. “Temos um só objetivo: matar nazistas. Seremos cruéis. Os rastros das nossas atrocidades serão encontrados nos corpos destripados, esquartejados e desfigurados que deixaremos para trás. Nazistas não merecem tratamento humano! Devem ser extintos. Cada um de vocês me deve cem escalpos nazistas.” Temos aí, como falei, a lembrança do pele-vermelha, assim como no roteiro nazista e alemão são sinônimos.

O filme já entrou em cartaz nos Estados Unidos e a propaganda é ilustrada por um taco de baseball ensanguentado no qual está pendurado um capacete alemão. O porrete é acessório do “Urso-Judeu”, um temido e sádico matador, membro da equipe. Em uma das cenas um oficial alemão prisioneiro dos Basterds se nega a dar informações. Então o comandante Brad Pitt chama o “Urso-Judeu” e diz: “Temos aqui um alemão que deseja morrer pela pátria. Preste-lhe o favor.” Sob gargalhadas dos Basterds o porrete é acionado.

Os killers de Tarantino não apenas matam nazistas, mas buscam uma total aniquilação de suas vítimas. Destroem seus documentos, arrancam seus escalpos, o ouro dos seus dentes e lhes tirando as botas, arrebatam sua dignidade.

O filme já garantiu a Tarantino uma indicação à Palma de Ouro em Cannes. Há quem aposte que o filme renda mais indicações, inclusive ao Oscar. Um sumário publicado na internet diz que é “Um prato cheio para quem gosta de assistir a cenas de tortura, diálogos inteligentes e violência psicológica”. Tal comentário me conduz a uma interrogação, no meu modo de entender, pertinente: Quem GOSTA, sente prazer, satisfação, contentamento, deleite. Em outras palavras, se identifica. Assim mesmo tais produções conseguem encher as salas de cinema. Será que, além de tudo, estamos nos tornando um mundo regido pelo sadismo dos psicopatas?

Outro fato estarrecedor. Este filme foi co-financiado pelo “Fundo Alemão de Fomento ao Cinema” (Deutscher Filmförderfonds) com 6,8 milhões de Euros. Isto só pode estar acontecendo a um povo ao qual está se subtraindo a identidade e até a própria alma.

Texto Original: Blog do Toedter - Autor do Livro - “… e guerra continua”
http://2a.guerra.zip.net, ensaio nr. 26.

Arapuca de guerra -

10 de Setembro de 2009 @ 12:37 por admin

(relato de um oficial alemão - Fronte Oriental - Rússia)

“A aldeia estava muito bem fortificada e muitos tanques haviam sido postados entre as casas, para servir como casamatas. Os carros blindados eram difíceis de descobrir e eliminar. Nosso primeiro ataque havia fracassado ao enfrentar o fogo dos tanques, embora nossas perdas tenham sido reduzidas, pois nossas tropas, veteranas, ante o perigo, haviam sabido retirar-se a tempo.

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Para desfechar o segundo ataque, era necessário fazer os tanques saírem - a maioria dos quais estava entrincheirada na parte sul da aldeia - de suas posições protegidas. Com o fim de conseguir isto, o fogo de toda nossa artilharia foi concentrado no setor nordeste da aldeia, e um ataque simulado foi efetuado nesse setor por carros blindados e veículos semilagartas, acobertados por uma cortina de fumaça.

Então, inesperadamente, o fogo da artilharia foi orientado sobre o setor sul da aldeia e concentrado, maciçamente, sobre o ponto pelo qual nos propúnhamos irromper. Apenas uma bateria continuava apoiando, com bombas de efeito moral, o ataque simulado. Enquanto os projéteis estavam ainda caindo sobre as posições inimigas, os tanques do 15° Regimento Panzer se lançaram sobre a aldeia e superaram, de sul a norte, a defesa russa. Os tanques russos que haviam deixado os seus abrigos, deslocando-se para o setor norte da aldeia, foram atacados pela retaguarda, pelos nossos Panzer e destruídos depois de encarniçada luta.

A infantaria russa abandonou a localidade e se retirou desordenadamente, seguida pelos nossos atiradores motociclistas. Vinte tanques russos foram destruídos na ação e 600 soldados ficaram mortos os feridos”.

1945: Capitulação do Japão na Segunda Guerra Mundial

2 de Setembro de 2009 @ 11:37 por admin

Em 2 de setembro de 1945, o Japão assinou a declaração de capitulação da Segunda Guerra Mundial. Pouco antes, a Força Aérea dos Estados Unidos havia arrasado as cidades de Hiroshima e Nagasaki com bombas nucleares.

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Unidade japonesa entragando-se para soldados americanos na região de Onomichi, Honshu, Japão em setembro de 1945

“…o inimigo começou a empregar uma nova e aterrorizante bomba, capaz de matar muitas pessoas inocentes e cujo poder de destruição é incalculável. Se continuássemos a lutar, isto significaria não apenas o fim da nação japonesa, como também levaria ao extermínio completo da civilização humana…”

Estas foram as palavras do imperador Hirohito, pronunciadas alguns dias após o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. No dia 2 de setembro de 1945, o império japonês capitulou. “Nós ganhamos o jogo”, comentou Harry S. Truman, então presidente norte-americano, o lançamento das bombas, logo após a assinatura da rendição japonesa, efetuada no navio de guerra USS Missouri.

Até então, o império japonês se impunha com uma estratégia agressiva: em 1937, tomara a China. Num ataque-surpresa, em 7 de dezembro de 1941, destruiu a esquadra norte-americana ancorada na base naval de Pearl Harbor, no Havaí.

Meio ano depois, o Japão ocupou o Sudeste da Ásia e a maior parte do Pacífico Ocidental, um enorme território que chegava até a fronteira da Índia e à Austrália. Tais façanhas foram possíveis graças ao acordo de 1939, que criou o “eixo” Alemanha-Itália-Japão, e ao pacto de não-agressão com a União Soviética.

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Fanatismo, apesar da derrota

A virada militar a favor dos Aliados ocorreu quando os americanos venceram as batalhas navais de Midway e do Mar de Coral, em 1942. O resultado foi a perda da supremacia aérea e marítima do Japão na região. Apesar da evidente derrota, os mais fanáticos teimavam em continuar resistindo, à medida que os aliados se aproximavam da ilha.
O lançamento das bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, e a declaração de guerra da Rússia contra o Japão levaram o imperador Hirohito a exigir de seu governo o fim incondicional da guerra, apesar da resistência de outros dirigentes políticos e militares.

Até hoje se questiona a real necessidade de empregar bombas atômicas já no final da guerra. Muitos norte-americanos ainda acreditam que seu lançamento foi necessário, para obrigar a rendição japonesa e evitar a morte de milhares de soldados de seu país.

Entretanto, o historiador e ex-funcionário do Departamento de Estado norte-americano Gar Alperovitz é de outra opinião: “Acho que o presidente conhecia outras possibilidades de acabar com a guerra até mais rapidamente. Na verdade, é preciso dizer: quando lançou a bomba, o presidente muito provavelmente sacrificou também a vida de americanos”. Apesar da rendição, ainda levou um bom tempo até os japoneses se distanciarem de sua política expansionista.

fonte DW.DE

1° de setembro 1939

1 de Setembro de 2009 @ 09:30 por admin

A invasão da Polônia pelas tropas de Hitler marcou o começo da Segunda Guerra Mundial, na madrugada de 1º de setembro de 1939.

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A Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial, havia perdido seus territórios ultramarinos, a Alsácia Lorena e parte da Prússia. As altas indenizações impostas pelos Aliados causaram o colapso da moeda e desemprego em massa, fatores que, explorados pelos nazistas, contribuíram para o fortalecimento de Hitler no poder (assumido em 1933).

As relações entre a Alemanha e a Polônia já eram tensas desde a República de Weimar. Nenhum governo do Reich nem partido alemão concordava com a nova delimitação da fronteira leste do país (com um corredor polonês, neutro, separando o país da Prússia Oriental), imposta no Tratado de Versalhes.

Ambicionando as matérias-primas da Romênia, do Cáucaso, da Sibéria e da Ucrânia, Hitler começou a expansão para o Leste. Embora as potências ocidentais temessem o perigo nazista, permitiram seu crescimento como forma de bloqueio ao avanço comunista soviético.

Conquistas passo a passo

Em 1935, a Alemanha havia reiniciado a produção de armamentos e restabelecido o serviço militar obrigatório, contrariando o Tratado de Versalhes. Ao mesmo tempo, aproximou-se da Itália fascista de Benito Mussolini; de Francisco Franco, na Espanha; do Japão; e anexou a Áustria (Anschluss), em 1938, por tratar-se de um povo de língua alemã.

No ano seguinte, com a conivência da França e da Inglaterra, incorporou a região dos Sudetos, que abrigava minorias alemãs, na Tchecoslováquia. Por fim, aproveitou o ceticismo ocidental em relação à União Soviética e assinou com Josef Stalin um acordo de não-agressão e neutralidade de cinco anos.

Estava aberto o caminho para atacar a Polônia, exigindo a devolução da zona conhecida por “corredor polonês” e do porto de Danzig (neutra, a atual Gdansk).

Diante da negativa da Polônia em ceder Danzig, as tropas alemãs invadiram o país em 1º de setembro de 1939 e travaram uma guerra-relâmpago (blitzkrieg) com a frágil resistência local. Dois dias depois, a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha, fazendo eclodir a Segunda Guerra Mundial.

(ob/rw)

-> Leia também:

:::: Afinal quem começou a Segunda Guerra
:::: Ministério da Defesa da Rússia acusa Polônia de ser a culpada do início da Segunda Guerra Mundial
:::: Guerra Relâmpago - Achtung Panzer!

Coprodução entre Alemanha e Polônia lembra eclosão da Segunda Guerra

30 de Agosto de 2009 @ 14:17 por admin

Sete décadas após a invasão da Polônia por Hitler, fato que desencadeou o início da Segunda Guerra, projeto da Deutsche Welle e da TVP polonesa tratam deste capítulo negro na história dos dois países.

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Na última quarta-feira (26/08), o documentário Hitlers Angriff – Wie der Zweite Weltkrieg begann (O ataque de Hitler – como a Segunda Guerra começou), produzido para televisão, teve sua estreia no Instituto Polonês, em Berlim. Setenta anos depois da invasão da Polônia pelas tropas alemãs, cineastas da Alemanha e da Polônia desenvolvem juntos um projeto sobre este fato histórico, tendo como ponto de partida perspectivas distintas.

“Estamos muito satisfeitos que tenha havido, agora, um filme coproduzido por poloneses e alemães sobre a invasão da Polônia. Setenta anos depois são realmente suficientes para que seja encontrada uma linguagem comum. Fico feliz que a cooperação com os colegas poloneses tenha dado tão certo”, afirmou Christoph Lanz, diretor da Deutsche Welle TV.

Para Agnieszka Romaszewska-Guzy, que participou do projeto em nome da emissora polonesa TVP Polonia, “é preciso, 70 anos depois da eclosão da guerra, voltar mais uma vez os olhos para esta que foi uma das maiores tragédias da nossa história, baseando-se em fatos e no saber e não em preconceitos e mitos”.

Segundo ela, já chegou a hora de a Alemanha e a Polônia encontrarem um olhar comum frente a esses acontecimentos hediondos. “Temos que estar em condições de aprender com o que ocorreu”, diz ela, ao ressaltar que a história não deve ser esquecida.

Testemunhos de sobreviventes

O documentário mostra como um bombardeio da Força Aérea alemã destruiu completamente a pequena cidade polonesa de Wielun, no dia 1° de setembro de 1939. Isso ainda antes da manobra na península de Westerplatte pelo navio alemão Schleswig-Holstein (que teoricamente teria por função apenas a formação marinha e náutica), em operação que ficou conhecida como “Plano Branco” é considerada até hoje o início oficial da Segunda Guerra Mundial.

Os diretores do documentário – Peter Bardehle e Nadine Klemens, da Alemanha, e Michal Nekanda-Trepka e Jan Strekowski, da Polônia – centram o filme em depoimentos de sobreviventes.

O bombardeio a Wielun ajuda a construir a dramaturgia do filme, contado pelos dois lados: o dos soldados alemães e o da população polonesa. Mesmo 70 anos mais tarde, eles conseguem relatar suas lembranças do dia em que eclociu a Segunda Guerra.

“Quase um milagre”

No filme, historiadores de renome situam, além das vivências pessoais relatadas pelos testemunhos, também os acontecimentos de agosto e setembro de 1939 na fronteira entre Alemanha e Polônia, sob a luz da política internacional. Entre os especialistas que participam do documentário estão Dieter Bingen, diretor do Instituto Alemão-Polonês em Darmstadt, e Norman Davies, historiador que vive em Oxford e Varsóvia.

Davies, autor do clássico Europe at War 1939-1945: No Simple Victory (Europa na Guerra: 1939 e 1945. Uma Vitória Nada Simples), dedica-se especialmente à percepção da Segunda Guerra Mundial sob a perspectiva do Leste Europeu, trabalhando ao lado de Viktor Sovorov, ex-agente da KGB, que pesquisa há anos o pacto Hitler-Stalin.

“Também em 2009, precisamos chamar a atenção, no discurso alemão-polonês, para a memória do que realmente aconteceu”, diz Bingen. Segundo ele, sob a lembrança da política nazista para a Polônia, é hoje quase um milagre o fato de que alemães e poloneses “mantenham uma relação relativamente amistosa”.

SV/dw

1944: De Gaulle entra em Paris

25 de Agosto de 2009 @ 11:13 por admin

Em 25 de agosto de 1944, tropas francesas e americanas libertaram Paris da ocupação alemã. Pelo rádio, da Inglaterra, o general Charles de Gaulle conclamou seus compatriotas a apoiarem os Aliados.
Desde 1940, a capital francesa estava ocupada pelos alemães. Tardaria até meados de agosto de 1944, até que as tropas aliadas conseguissem avançar em direção a Paris.

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Já nos dias que antecederam à libertação da cidade, ocorreram greves da polícia, dos correios e do metrô parisiense, o rádio suspendeu as suas transmissões e, no dia 19 de agosto de 1944, o Comitê da Libertação de Paris conclamou a população a rebelar-se.

Ministérios, redações de jornais e partes da administração municipal foram ocupados. Os grupos da Resistência parisiense passaram a lutar em combates de rua, atrás de barricadas construídas às pressas.

O líder da Resistência parisiense era o comunista convicto Henri Tanguy, conhecido como coronel Rol. Ele e os seus correligionários queriam aproveitar uma rebelião geral em Paris, a fim de assumir o poder político antes que as forças francesas de Charles de Gaulle e as tropas aliadas chegassem para libertar a cidade.

Desobediência a Hitler

O comandante alemão da região metropolitana de Paris era o general Von Choltitz, desde 7 de agosto de 1944. Do ditador alemão Adolf Hitler, Von Choltitz recebera carta branca para defender a cidade com todos os recursos e para destruí-la inteiramente, antes de uma retirada. O general, no entanto, contrariou as ordens para a destruição de Paris.

Ele solicitou ao cônsul-geral da Suécia em Paris, Raoul Nordling, que cruzasse o front e entrasse em contato com os Aliados, a fim de apressá-los e acelerar assim a capitulação.

Atendendo a uma sugestão de Raoul Nordling, o general Von Choltitz buscou contato com a Resistência em 19 de agosto. Porém, Raoul Nordling sofreu um ataque cardíaco pouco antes da sua partida. A carta de livre trânsito tinha sido emitida com o nome abreviado de R. Nordling. O irmão do cônsul-geral sueco, Rolf Nordling, assumiu assim a missão de alto risco.

O general Leclerc juntara-se a Charles de Gaulle e comandava então a 2ª divisão blindada francesa, que avançou rapidamente para Paris, a partir de 23 de agosto de 1944. Já no dia seguinte, companhias aliadas estavam nos subúrbios ocidentais da capital. Na tarde de 25 de agosto, o general Leclerc, juntamente com o coronel Rol, receberam a capitulação do general Von Choltitz, na chefatura de polícia da capital francesa. De Gaulle também chegou a Paris em 25 de agosto de 1944 e discursou à noite diante da prefeitura.

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General Leclerc com o Genral von Choltitz sentado ao seu lado, após assinatura do “ato de rendição” na chefatura de polícia de Paris.

Restauração da República

No dia seguinte, 26 de agosto de 1944, De Gaulle participou da parada triunfal da 2ª divisão blindada francesa, sob o comando do general Leclerc. Partindo do Arco do Triunfo, ele desceu a Avenida Champs Elysées, prosseguindo até a Catedral de Notre Dame. Os parisienses saudaram o libertador com grande entusiasmo.

O passeio pela cidade encerrava grande risco para o general, pois muitos franco-atiradores ainda disparavam dos seus esconderijos. Mas De Gaulle recusou-se a interromper a sua caminhada e marchou orgulhosamente pelas ruas parisienses.

Na catedral, continuou a ser celebrado o Te Deum, apesar de tiros disparados até mesmo dentro do templo gótico. Nunca se soube quem ordenou os disparos. Dois franco-atiradores foram presos em outras partes da cidade, mas não puderam ser interrogados, pois foram linchados imediatamente pela população furiosa. Há quem atribua os tiros aos comunistas. Eles procurariam, desta forma, impedir que De Gaulle subisse ao poder.

A parada da 2ª divisão blindada na cidade recém-liberada tinha como objetivo ressaltar o papel do movimento França Livre e reforçar a posição do general De Gaulle como líder do novo governo francês. Com isso, ele queria rechaçar as ambições comunistas de poder na França. Especialmente o fato de que o líder comunista da Resistência, coronel Rol, tenha sido um dos signatários da capitulação alemã, ao lado do general Leclerc, deixou o general tremendamente indignado.

De Gaulle forçou resolutamente a constituição de um governo francês, impedindo assim que a França se tornasse uma zona de ocupação das potências aliadas. No dia 9 de setembro, tomou posse um governo de unidade nacional, sob a presidência de Charles de Gaulle. Com isso, ele cumpriu a missão a que se propusera: libertar o país, restabelecer a República e organizar eleições livres e democráticas na França.

A aviação aliada destrói 80% de Frankfurt.

24 de Agosto de 2009 @ 13:13 por admin

O bombardeio estratégico é uma estratégia militar de ataque aéreo à alvos terrestres, geralmente utilizada em campanhas do tipo guerra total, com o propósito de destruir a capacidade do país inimigo manter a guerra. O bombardeio estratégico consiste num ataque sistematicamente organizado e executado do ar. Ele difere do bombardeio tático por não envolver necessariamente o ataque às tropas e equipamento militar inimigos, e nem estar próximo ao front de combate terrestre, como são os casos do apoio aéreo aproximado e da interdição aérea.

Os Aliados (EUA e Inglaterra) utilizaram bombardeios estratégicos sistemáticos contra a Alemanha e o Japão, tendo como alvos suas maiores zonas industriais??>

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Frankfurt

Em 24 de agosto de 1943 o bombardeio a Frankfurt arrasaram a Stadtbibliothek e a bliblioteca da Universidade, o que resultou uma perda de 550 mil livros e 440 mil teses de doutorado. Mais de 17.000 livros e 1.900 manuscritos de grandes autores desapareceram no ataque à Universidade de Greifswald. Cerca de 600 mil livros foram queimados no bombardeios de 1943 e 1944 sobre a Staatsbibliothek e a Universitaetsbibliothek de Hamburgo.

Fonte:
HISTORIA UNIVERSAL DA DESTRUIÇAO DOS LIVROS
Por Fernando Báez e Léo Schlafman

Dieppe 1942: Fracassa desembarque dos aliados na Normandia

19 de Agosto de 2009 @ 11:17 por admin

No dia 19 de agosto de 1942, seis mil soldados, na maioria canadenses, desembarcaram no norte da França para formar uma segunda frente contra Hitler e assim aliviar as tropas soviéticas. A missão fracassou e os aliados tiveram que se retirar, sofrendo grandes perdas.

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Hitler deu a ordem de atacar Stalingrado em 19 de agosto de 1942. Em meio ao verão europeu, as forças armadas alemãs (Wehrmacht) avançavam para o Leste. Na Europa Ocidental, a situação parecia sob controle. Mas, exatamente nesse dia, tropas aliadas atacaram a costa francesa do Canal da Mancha. Seis mil soldados tentaram desembarcar, com tanques e infantaria, na cidade portuária de Dieppe.

O noticiário alemão de 19 de agosto de 1942 registrou a batalha numa nota curta: “O Comando Superior das Forças Armadas comunica: uma ampla invasão de tropas inglesas, norte-americanas e canadenses executada, na manhã de hoje, perto de Dieppe, foi contida pelas forças de defesa costeira, sob sangrentas perdas para o adversário”. As tropas aliadas não tiveram chance.

Ainda no mar, confrontaram-se com navios alemães. Enquanto batalhavam no Canal da Mancha, a Wehrmacht foi alarmada a tempo na costa. Os invasores só chegaram até a praia. Utilizando aviões de combate, os alemães conseguiram afundar muitos navios aliados. Quatro mil e quinhentos soldados ingleses, americanos e canadenses morreram na batalha. Só escapou quem teve a sorte de encontrar um esconderijo.

Os aliados compreenderam logo a gravidade da situação e entraram em pânico. Os soldados negaram-se a desembarcar, mas foram forçados sob ameaça de execução por seus oficiais. Após o combate, um oficial alemão orgulhou-se na rádio estatal da frieza com que as forças nazistas aniquilaram os navios adversários, “despejando as bombas sobre os alvos, como num exercício militar”.

A estratégia

Stalin já havia pedido, em 1941, que os Estados Unidos e a Inglaterra abrissem uma segunda frente de batalha contra a Alemanha. Desde o final daquele ano, Roosevelt e Churchill planejavam a invasão da costa francesa. Várias pequenas expedições deveriam preparar o caminho para o grande desembarque de tropas. Em Dieppe, os aliados testaram tanques e armas. Além disso, eles queriam descobrir o esquema de abrigos antiaéreos dos alemães.

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A propaganda nazista transformou a batalha num grande triunfo da Wehrmacht. Na realidade, a investida dos aliados provocou um evidente alvoroço entre os generais alemães. Inclusive Adolf Hitler ficou preocupado. Cogitou até a transferência de uma divisão de elite da frente oriental para a França. Em setembro de 1942, ele ordenaria a formação da trincheira do Atlântico.

Cerca de 250 mil pessoas trabalharam no sistema de fortificação, mas problemas de reabastecimento e dificuldades técnicas retardaram a conclusão da obra. Os aliados adiaram, repetidamente, sua grande invasão, provocando decepção e desconfiança nos soviéticos. Finalmente, a 6 de junho de 1944, chegou o Dia D (Dia da Decisão), quando os aliados conseguiram desembarcar na Normandia, dando início à fase decisiva da Segunda Guerra Mundial.

Há 22 anos, Rudolf Hess era assassinado em Spandau

17 de Agosto de 2009 @ 15:41 por admin

A morte do líder alemão aconteceu à vespera de sua libertação, quando já sopravam os ventos que derrubariam o regime soviético.

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Hess morreu em 1987, ainda prisioneiro em Spandau. Sua morte foi qualificada de suicídio. Hess, então com 93 anos estava quase cego e movia-se com extrema dificuldade. Segundo a versão oficial, ele foi até à casa do jardim, colocou um cabo elétrico ao redor do pescoço e cometeu o suicídio. Entretanto, as declarações de sua enfermeira pessoal também colocam em xeque a versão oficial. Ela encontrou Hess sem sinal de vida no interior da casa do jardim. Tentando reanimá-lo pediu o saco de primeiros socorros que segundo ela, “foi entregue com uma grande demora, exageradamente longa” e que lhe chegou às mãos já aberto, com os instrumentos cirúrgicos destruídos e a garrafa de oxigênio vazia.

Esta enfermeira que acompanhou os últimos 5 anos da vida de Rudolf Hess afirma que “Hess tinha muita artrite nas mãos e já estava bastante fraco para se manter de pé sem apoio. Ele não conseguia atar os seus sapatos nem levantar os seus braços a uma altura suficiente para colocar um cabo no seu pescoço, embora a autópsia das autoridades inglesas e americanas afirmarem ter sido suicídio.

Uma segunda autópsia foi efetuada a pedido do seu filho. Wolf Hess contratou um patologista famoso, o Professor Dr. Spann do Hospital de Munique. A sua conclusão refuta a opinião do médico Britânico, professor James Malcom Cameron: “Muito provavelmente Rudolf Hess foi estrangulado por detrás por outra pessoa”.

O vôo de Rudolph Hess

Especulações a respeito da verdade por trás do vôo do vice-führer alemão para a Inglaterra, em maio de 1941.

A Batalha da Inglaterra é lembrada até hoje como “o mais belo momento” da nação, uma época de sacrifícios e heroísmo. Em dez de maio de 1941 as bombas da Luftwaffe causaram grande destruição no coração de Londres. Naquela mesma noite um solitário piloto alemão penetrou as defesas costeiras da Inglaterra e se lançou de pára-quedas, caindo próximo à propriedade do duque de Hamilton em Lanarkshire, na Escócia.

Um fazendeiro escocês encontrou o piloto sofrendo com um tornozelo torcido, e armado com um garfo para feno, o tomou sob guarda. O piloto disse apenas que estava “em missão especial” e precisava encontrar o duque.

O duque chegou às 10 da manhã do dia seguinte. Falando em inglês, o piloto disse a Hamilton que Hitler desejava dar um fim à guerra; sua missão, ao voar à Grã-Bretanha, era tentar entabular conversações de paz com Hamilton e outros ingleses simpatizantes da idéia. O piloto se identificou para Hamilton: era Rudolf Hess, o vice-führer do Reich alemão.

Como era de se esperar, o vôo de Hess foi assunto de manchetes sensacionais pelo mundo afora. Hess era chefe do partido Nazista, praticamente co-autor do Mein Kampf e membro do círculo mais íntimo de Hitler. O curioso é que as reações oficiais que logo se seguiram, tanto em Berlim quanto em Londres, foram praticamente idênticas: Hess era um louco, embora talvez um pouco idealista. Como poderia ter agido por conta própria, sem o conhecimento nem o apoio de Hitler, ou de Churchill, ou de qualquer outro responsável nos dois governos?

No início muitas pessoas duvidaram da versão oficial de que Hess agira sozinho. Algumas acreditavam que Hitler enviara seu velho amigo e parceiro para fazer a paz com a Inglaterra, talvez com o intuito de lançar todos os seus exércitos contra a Rússia. Outros suspeitavam de um segredo ainda mais estranho: que Hess não surgira do nada, mas tinha boas razões para crer que encontraria amigos, incluindo alguns de altas posições no governo inglês.

Se Hitler sabia de algo acerca da missão de Hess, não demonstrava. Testemunhas disseram que do seu retiro das montanhas, onde reunira seus principais auxiliares para administrar a crise, o Führer parecia estar sofrendo muito, numa conjuntura de grande confusão. O chefe do Estado-Maior, General Franz Halder, escreveu em seu diário: “Hitler foi pego completamente de surpresa”.

Quando ficou claro que Hess estava na mão dos ingleses, Berlim logo emitiu uma série de comunicados na imprensa lamentando “as alucinações de Hess” e garantindo ao mundo todo que estas não teriam qualquer efeito sobre a guerra.

Hitler ordenou a prisão de várias pessoas próximas a Hess, incluindo o sub-camareiro do Führer, Karlheinz Pintch, e seu amigo e conselheiro não-oficial, Albrecht Haushofer. Este admitiu à Gestapo que havia conversado com Hess sobre o interesse mútuo em fazer a paz com a Inglaterra, e a maioria dos historiadores acredita que foi ele quem inculcou em Hess a idéia de empreender aquela missão de paz. Haushofer também reconheceu que havia conversado com Hess sobre seus numerosos amigos ingleses, inclusive o duque de Hamilton.

Foram presos também vários astrólogos e videntes por toda a Alemanha. Segundo os comunicados da imprensa nazista, o distúrbio mental de Hess pode tê-lo deixado vulnerável à influência destes adivinhos.

É difícil dizer quanto esse rebuliço foi real e o quanto foi apenas um espetáculo para o público. Os nazistas eram mestres da propaganda, e o caso Hess exigiu todo o seu talento. Para os alemães, enviar, em plena Batalha da Inglaterra, um emissário de paz àquele país - e ainda mais alguém de alto nível, como Hess - decerto seria interpretado como sinal de fraqueza. Estava claro, portanto, para Hitler, que era crucial se distanciar de Hess.

Para algumas testemunhas, como Pintsch, Hitler estava representando, pois sabia muito mais acerca da missão do que aparentava. Tanto a esposa de Haushofer quanto a de Hess, Ilse, disseram ter a impressão de que Hess discutira com Hitler a idéia geral de uma missão de paz. Ambas, porém, achavam que Hitler não tinha conhecimento de detalhe algum. Outros recordaram, mais tarde, que em 5 de maio houve um encontro entre Hitler e Hess, no qual ambos levantaram a voz, exaltados. Talvez isso tenha ocorrido quando Hess contava seu plano a Hitler.

Entre os que nunca engoliram a versão oficial, estava Stalin. Apesar do pacto de não-agressão, assinado em 39, o dirigente soviético não confiava em Hitler. Quando as tropas alemãs invadiram a Rússia, em junho - apenas um mês depois do vôo de Hess - Stalin viu nisso a prova de que tinha razão.

Acreditava que Hess devia fazer parte de uma conspiração anglo-alemã para dar um fim à Batalha da Inglaterra e juntar forças para destruir os bolcheviques.

Stalin nunca renunciou às suas suspeitas. Segundo Churchill, em sua História da Segunda Guerra Mundial, escrito em 1950, Stalin o inquiriu acerca de Hess em 44, durante o encontro que tiveram em Moscou. Churchill repetiu a versão oficial: Hess era um “caso clínico”, cuja escapada não tinha nada a ver com a marcha dos acontecimentos. Stalin não acreditou, Churchill, irritado, insistiu que havia exposto os fatos como os conhecia, e esperava que assim fossem aceitos. Stalin respondeu: “Há muita coisa acontecendo aqui mesmo na Rússia que nosso serviço secreto nem sempre me conta”. O significado dessa frase era claro: no complô de Hess estariam envolvidos não apenas alemães, mas também espiões ingleses.

Quando a URSS se desmantelou e foram abertos muitos arquivos da KGB, os historiadores ocidentais puderam, pela primeira vez, ter noção do tipo de informações que causavam as suspeitas de Stalin. Em 1991 o historiador inglês John Costelo publicou os resultados de seus exames dos arquivos da KGB sobre Hess. A conclusão de Costello foi que Stalin tinha razão.

Os arquivos continham o relatório de um agente soviético que assim falava do vôo de Hess: “Não foi o ato de um louco, mas sim a realização de uma conspiração secreta da liderança nazista a fim de fazer a paz com a Inglaterra antes de entrar em guerra com a Rússia”. Outro agente começa dizendo explicitamente: “A história que circula, segundo a qual Hess chegou inesperadamente na Grã-Bretanha, não é correta”.

De acordo com os espiões soviéticos, Hess se correspondeu durante muito tempo com o duque de Hamilton - embora este não soubesse. Parece que os espiões ingleses interceptaram todas as cartas de Hess para Hamilton. Eles enviaram respostas em nome de Hamilton, incentivando Hess a vir. Foi tudo um truque que os ingleses aplicaram ao vice-Führer, sem que este suspeitasse de nada.

Costello encontrou teorias semelhantes num arquivo do Serviço de Informações americano, datado de 1941 e aberto ao público em 1989. Na verdade, os relatórios soviéticos e americanos eram tão parecidos que Costello chegou à conclusão que deviam ter a mesma fonte. Ambos, por exemplo, citam o mesmo gracejo de um médico que examinara o piloto alemão logo após a captura. Quando o piloto se identificou como Rudolf Hess, o médico respondeu: “No hospital também temos um paciente que jura que é o Rei Salomão”.

Para Costello, essa nova evidência desfez o mito da heróica Inglaterra suportando bravamente as investidas nazistas. Em lugar disso, o governo inglês aparece como profundamente ambivalente em relação à guerra. Havia um importante “partido da paz” trabalhando ativamente para substituir Churchill por outro primeiro-ministro, disposto a apaziguar Hitler. Os opositores de Churchill tinham pouca esperança de que a Grã-bretanha pudesse derrotar a Alemanha. Ainda faltavam meses para Pearl Harbor, e com a isolacionista política americana fazendo forte oposição à entrada na guerra, a única certeza era de que os ingleses continuariam a lutar sozinhos, perdendo vidas e bens. Para Costello, não fazia sentido que Hess, por mais fanático, ingênuo ou louco que fosse, se atirasse de pára-quedas sem ter bons motivos para crer que o Duque de Hamilton estaria esperando para encontrá-lo.

Outros, em especial o historiador britânico Peter Padfield, acham convincente a hipóteses de que os ingleses atraíram Hess à Inglaterra; mas consideram que essa foi provavelmente uma operação do Serviço Secreto, e não um complô anti-Churchill. Assim como Stalin, Padfield suspeitava que a missão de Hess fazia parte de uma campanha britânica planejada para convencer Hitler a abandonar a batalha da Inglaterra e concentrar suas forças contra a Rússia. Padfield especulava que também Hitler tinha suas razões para enviar seu vice à Inglaterra. Hitler pode ter calculado que se a missão de paz falhasse, Stalin acreditaria que isso era sinal que a Batalha da Inglaterra continuaria. Assim, ele teria chance de pegar os soviéticos de surpresa.
Por essa teoria, Hess seria um joguete tanto nas mãos de Churchill quanto nas de Hitler. Churchill esperava persuadir Hitler a marchar para o Leste, em direção à Rússia, enquanto Hitler esperava convencer Stalin de que iria arremeter em direção ao Ocidente.

Embora seus livros sejam atraentes, nem Costello nem Padfield conseguiram mudar o consenso sobre a missão de Hess. Isso por uma boa razão: o fato de os espiões soviéticos e americanos concordarem sobre algum fato não significa que esse fato seja verídico. É mais provável que ambos os lados tenham colhido suas informações nas mesmas fontes - e essas fontes estavam erradas. A história completa deve vir à tona em 2017, quando todos os documentos do governo britânicos sobre Hess serão revelados.

Entretanto, segundo arquivos já abertos do Serviço Secreto Britânico é certo que o amigo de Hess, Haushofer (embora não o próprio Hess) esteve em contato com o Duque de Hamilton. Algumas das cartas de Haushofer indicam que uma estreita relação entre este e Hamilton.

Em setembro de 1940 Haushofer escreveu a Hamilton convidando os “amigos em altos postos” a “achar significado no fato de que posso lhe perguntar se você teria tempo para uma conversa”. É claro que Haushofer, provavelmente com o conhecimento de Hess, estava sondando as possibilidades de entabular conversações de paz.

Essa carta de Haushofer, porém, nunca chegou às mãos de Hamilton. Foi interceptada pelo Serviço Secreto Britânico, que a guardou durante cinco meses. Não se sabe bem o motivo disto - talvez por Churchill já ter declarado que as conversações de paz estavam fora de questão. Ou talvez o serviço secreto tenha respondido em nome de Hamilton, com o objetivo de atrair Haushofer, mas na verdade apanhando Hess na ratoeira.

Qualquer que tenha sido a isca, está claro que o vice do Führer estava ansioso por mordê-la. Hess sabia da admiração que Hitler nutria pela Inglaterra, mesmo a contragosto, e de seu ódio incontrolável pela Rússia bolchevique. Não importa se Hess já discutira explicitamente esse assunto com Hitler; ele sabia que uma missão de paz bem sucedida com certeza agradaria o Führer. Não só isso; daria a Hess a oportunidade de reaver parte do poder que lhe escapava. Ele já fora o Número Dois de Hitler nos primeiros tempos do nazismo, mas por volta de 1941 essa influência ia declinando. Sofria com as manobras de vários rivais políticos, como Martin Borman, e pelo fato de que Hitler estava absorvido por assuntos militares.

A melhor explicação para os motivos de Hess deve ser a sugerida por Churchill em 1950. Depois de descrever o ciúme que Hess nutria pelos generais, que aos poucos o eclipsavam, imaginou o que devia se passar pela sua cabeça: “Os generais têm seu papel a desempenhar. Mas eu, Rudolf Hess, vou superar todos eles, numa façanha de extrema dedicação, e dar ao meu Führer um tesouro maior do que eles todos juntos dariam. Vou à Inglaterra e conseguirei a paz.”

O plano de paz de Hess estava fadado ao fracasso. Motivado pela ambição e lealdade, e talvez iludido pelo Serviço Secreto britânico, não conseguiu perceber que em 1941 a época de tentar fazer a paz já tinha passado. Não só Churchill, mas também todo o povo britânico estava agora firmemente empenhado na guerra.

Churchill afirmou que a missão de Hess foi totalmente irrelevante para o curso da guerra. Isso ficou claro para ele desde o momento em que soube da aterrissagem de Hess na Grã-bretanha. Depois do encontro de Hess com o Duque de Hamilton, este se apressou a apresentar um relatório ao primeiro ministro. Churchill, que planejava ir ao cinema naquela noite, ouviu impaciente e respondeu: “Bem, com Hess ou sem Hess, vou assistir aos Irmãos Marx.”

Palavra final de Rudolf Hess no Tribunal de Nurenberg, a 31 de agosto de 1946.

“Eu não me defendo dos acusadores, aos quais eu abjudico o direito de levantar acusações contra mim e contra meus compatriotas. Eu não discuto assuntos que abordam coisas de responsabilidade interna dos alemães e, portanto, não interessam aos estrangeiros. Eu não protesto contra declarações que têm por objetivo atingir minha honra, ou a do povo alemão. Eu vejo tais acusações dos adversários, antes de tudo, como prova de honra.

Foi-me concedido atuar por muitos anos de minha vida sob o maior filho que meu povo produziu em sua história milenar. Mesmo se eu pudesse, eu não iria querer apagar esta época de minha existência. Eu estou feliz em saber que eu cumpri com meu dever perante meu povo, meu dever como alemão, como nacional-socialista, como fiel seguidor de meu Führer. Eu não me arrependo de nada.

Estivesse eu novamente no início, eu iria agir como agi, mesmo se eu soubesse que ao final queima uma fogueira para minha morte nas chamas. Indiferente ao que as pessoas fazem, em algum momento eu estarei perante o juízo final. Perante ele, eu responderei, e eu sei que ele me absolverá”.

Fonte deste artigo:
- Mistérios da História - Paul Aron - Manole - publicado no site: Grandes Guerras
- www.inacreditavel.com.br

1961: Construção do Muro de Berlim

13 de Agosto de 2009 @ 14:07 por admin

Na madrugada de 13 de agosto de 1961, guardas da RDA (República “Democrática” Alemã) começaram a fechar com arame farpado e concreto a fronteira que separava as partes oriental e ocidental de Berlim, bem como Berlim Ocidental do território da Alemanha Oriental.

The Berlin Wall  1963 - The Berlin Wall  1963

O funcionário do Serviço de Defesa da Constituição de Berlim que estava de plantão no segundo fim de semana de agosto de 1961 não esperava ocorrências extraordinárias. Mas já na madrugada de sábado para o domingo, dia 13, ele foi surpreendido à 1h54 pela notícia de que o tráfego de trens entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental fora suspenso.

A abrangência do fato, porém, só ficou clara quando o dia amanheceu. A República Democrática Alemã (RDA) dera início à construção de um muro entre as duas partes de Berlim, cortando o acesso de 16 milhões de alemães ao Ocidente. “A fronteira em que nos encontramos, com a arma nas mãos, não é apenas uma fronteira entre um país e outro. É a fronteira entre o passado e o presente”, era a interpretação ideológica do governo alemão-oriental.

Reação às fugas

A RDA via-se com razão ameaçada em sua existência. Cerca de 2 mil fugas diárias tinham sido registradas até aquele 13 de agosto de 1961, ou seja, 150 mil desde o começo do ano e mais de 2 milhões desde que fora criado o “Estado dos trabalhadores e dos camponeses”. O partido SED puxou o freio de emergência com o auxílio de arame farpado e concreto, levantando um muro de 155 quilômetros de extensão que interrompia estradas e linhas férreas e separava famílias.

Ainda dois meses antes, Walter Ulbricht, chefe de Estado e do partido, desmentira boatos de que o governo estaria planejando fechar a fronteira: “Não tenho conhecimento de um plano desses, já que os operários da construção estão ocupados levantando casas e toda a sua mão-de-obra é necessária para isso. Ninguém tenciona construir um muro”.

Nos bastidores, porém, corriam os preparativos, sob a coordenação de Erich Honecker e com a bênção da União Soviética. Guardas da fronteira e batalhões fiéis ao politburo encarregaram-se da tarefa. Honecker não tinha a menor dúvida: “Com a construção da muralha antifascista, a situação na Europa fica estabilizada e a paz, salvaguardada”.

As potências ocidentais protestaram, mas nada fizeram. Para os berlinenses de ambos os lados da fronteira, a brutalidade do muro passou a fazer parte do cotidiano. Apenas 11 dias após a construção, morreu pela primeira vez um alemão-oriental abatido a tiros durante tentativa de fuga. A última vítima dos guardas da fronteira foi Chris Gueffroy, morto em fevereiro de 1989.

Queda após 28 anos

Por mais de duas décadas, o Muro de Berlim foi o símbolo por excelência da Guerra Fria, da bipolarização do mundo e da divisão da Alemanha.

Ainda no início de 1989, Honecker, no poder desde 1971, manifestava confiança em sua estabilidade: “O muro ainda existirá em 50 ou em cem anos, enquanto não forem superados os motivos que levaram à sua construção”.

Apenas dez meses depois, em 9 de novembro daquele ano, os habitantes de ambas as partes da cidade caíam incrédulos nos braços uns dos outros, festejando o fim da muralha que acabou sendo derrubada pouco a pouco e vendida aos pedaços como suvenir. Menos de um ano depois, o país dividido desde o fim da Segunda Guerra foi unificado, mas a verdadeira integração entre as duas partes é um processo que ainda não terminou.

DW.De