1977: Morre Wernher von Braun

0  2974761 4 00 - 0  2974761 4 00

No dia 16 de junho de 1977, falecia Wernher von Braun, um dos pioneiros na pesquisa da técnica de foguetes espaciais.

“Um pequeno passo para uma pessoa, um salto para a humanidade.” A frase do norte-americano Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua em julho de 1969, só pôde ser dita graças ao trabalho de uma figura-chave no mundo da astronáutica: o alemão Wernher von Braun (1912-1977). Desde 1960 diretor do Centro Marshall de voos espaciais da Nasa, von Braun foi responsável pelo desenvolvimento dos foguetes Saturno V, que permitiram o envio da nave Apolo 11 à lua.

De família aristocrática e conservadora, von Braun, nascido em 1912 na cidade de Wirsitz (hoje Wirzyzk, Polônia), interessou-se desde cedo pela cosmonáutica. Em 1925, mergulhou na leitura de um livro do “pioneiro dos foguetes”, Hermann Oberth, no qual eram apontados os caminhos para uma viagem espacial tripulada.

Com o propósito de levar à frente suas ideias, von Braun mostrou-se apto a fazer qualquer concessão aos donos do poder. Para ele, a ciência não possuía “dimensões morais em si”. E foi através da proximidade com as Forças Armadas da Alemanha nazista que ele pôde concluir, no ano de 1934, sua tese de doutorado sobre Os princípios básicos dos foguetes movidos a combustível líquido.

Primeiro foguete operacional do mundo

v21 - v21

Alguns anos depois, von Braun tornou-se diretor-técnico da base militar de Peenemünde, localizada numa ilha do Mar Báltico, no norte da Alemanha. Sob seu comando, foi desenvolvido o V-2 (V de Vergeltung, que em alemão significa vingança), o primeiro foguete operacional do mundo. Após testes em 1942, os V-2 foram usados durante a Segunda Guerra Mundial, principalmente em bombardeios a Londres, tendo ficado conhecidos como “armas do terror”.

Utilizados em grande escala pela Alemanha para atacar cidades das forças aliadas, os artefatos deixaram um saldo de 8.500 mortos e 46.200 feridos.

Apesar de sua conivência com o regime nazista, von Braun foi poupado de um julgamento oficial e mesmo moral após o fim da guerra. Acompanhado de seus 130 assistentes da base militar de Peenemünde, o especialista alemão foi enviado aos Estados Unidos para trabalhar em sistemas de mísseis teleguiados, tão logo entregou-se às tropas norte-americanas em maio de 1945. O interesse militar por ocasião da Guerra Fria falou mais alto que qualquer julgamento moral.

Defesa do programa Apolo

Em 1961, von Braun foi convidado pelo presidente Kennedy a coordenar o programa Apolo, que anos mais tarde levaria o homem à lua. Acusado por alguns de dispender muito dinheiro com um projeto megalômano, no qual estavam envolvidas 20 mil empresas, centenas de instituições e departamentos públicos, mais de 400 mil pessoas e gastos em torno de 24 bilhões de dólares, von Braun defendeu-se: “O programa Apolo não foi um desperdício louco de dinheiro público, mas um dos investimentos mais racionais, inteligentes e com visão de futuro que qualquer nação já fez”.

As viagens ao espaço programadas por von Braun acabaram, no entanto, ficando muito aquém do esperado. A partir de 1965, foi reduzida não só boa parte das verbas destinadas a seus projetos, mas principalmente o apoio político a seus planos de criar uma estação espacial e organizar uma missão a Marte.

Amargurado, o cientista despediu-se da Nasa em 1972, instituição da qual havia sido nomeado diretor de Planejamento dois anos antes. Em 1975, von Braun fundou o Instituto Nacional de Astronáutica, pouco antes de morrer, vítima de câncer, a 16 de junho de 1977, na cidade de Alexandria (Virginia), nos Estados Unidos.

]

Deixe uma resposta.