Parlamento alemão vai debater reabilitação de “traidores” condenados pela Justiça nazista

3 de Julho de 2009 @ 21:19 por admin

Grupo de ex-desertores e condenados pela Justiça militar nazista lutam por reabilitação oficial. Lei que suspende validade de veredictos da época será discutida pelo Parlamento.

Mais de seis décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, os chamados “traidores de guerra” esperam uma reabilitação por parte do governo alemão. Depois de longos debates, poderá ser aprovada pelo Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) uma lei que suspende a validade dos veredictos da Justiça militar expedidos durante o período nazista. Para os sobreviventes, trata-se de denominar, enfim, essas decisões como o que realmente foram: veredictos aleatórios e injustos.

Em fins de agosto próximo, o Parlamento deverá se reunir numa sessão extraordinária para debate que poderá levar à aprovação desta nova lei. Condenados durante o nazismo eram todos os que, de alguma forma, manifestassem dúvidas quanto à vitória das Forças Armadas alemãs na guerra. Os juízes militares da época condenaram mais de 30 mil pessoas à morte.

Como sinal de “desagregação da Wehrmacht” já era suficiente qualquer contato com prisioneiros de guerra ou principalmente ajuda a judeus. Depois do fim da guerra, em 1945, as vítimas da Justiça nazista continuaram socialmente banidas, enquanto juízes coniventes com o nazismo continuaram exercendo suas profissões na então Alemanha Ocidental.

Luta pela reabilitação

Graças à perseverança e o empenho de algumas dessas vítimas da Justiça e de alguns cientistas e políticos, os chamados “traidores de guerra” podem, agora, esperar por uma reparação oficial. Uma dessas vítimas é Jan Korte, deputado de Hannover do partido A Esquerda. Há três anos, ele luta pela reabilitação das vítimas da Justiça do governo nazista, argumentando que o que foi considerado traição pelos nazistas era, de fato, resistência às atrocidades do regime.

“Trata-se de reconhecer a resistência e a desobediência de soldados simples, abolir seus antecedentes criminais e deixar claro que essas pessoas precisam de reconhecimento. Pois elas agiram, como mostram pesquisas recentes, essencialmente guiadas por suas consciências. Elas se desvincularam da máquina de extermínio nazista”, diz Korte.

Associação de vítimas

Para Ludwig Baumann, a nova lei que reabilita as vítimas da Justiça nazista será a “concretização de um sonho”. O ex-soldado da Wehrmacht, desertor da Segunda Guerra, foi torturado e condenado à morte, tendo sido um entre os poucos sobreviventes entre os condenados.

Em 1990, ele fundou, ao lado de 36 outras pessoas, uma associação de vítimas da Justiça militar nazista. “E desde então luto também no Bundestag pela reabilitação, pela suspensão dos veredictos e pela reabilitação de nossa dignidade”, conta Baumann.

Ele já havia sido beneficiado em 2002 por uma lei que reabilitou os desertores. Os chamados “traidores de guerra”, no entanto, continuaram sendo juridicamente considerados criminosos.

A presidente da comunidade judaica de Berlim, Lala Süsskind, é uma das personalidades que defendem a suspensão oficial dos veredictos em relação a essas pessoas. Süsskind enviou uma carta oficial a todas as bancadas do Parlamento explicitando seu ponto de vista na questão.

Ostracismo e sofrimento

Tanto Korte quanto o parlamentar Wolfgang Wieland, do Partido Verde, lembram que tirar a validade dos veredictos da Justiça militar nazista representa romper o “último tabu” da justiça aleatória do regime de Hitler.

Korte salienta ainda o ostracismo em que viveram os que lutaram na resistência ao nazismo. “Os membros da resistência do 20 de julho de 1944 foram considerados traidores, sujos e coisas parecidas, contra os quais queria-se lutar em prol de uma Wehrmacht limpa”, descreve Korte.

Mesmo diante de toda a satisfação em presenciar a reabilitação dos chamados “traidores de guerra”, o desertor Ludwig Baumann afirma que jamais esquecerá o passado, já que seu sofrimento se perpetua até hoje. “Isso foi para mim um horror tamanho, que me acompanha até hoje”, completa.

Autor: Marcel Fürstenau
Revisão: Roselaine Wandscheer
Fonte: DW-World.de

1940: Armistício de Compiègne

22 de Junho de 2009 @ 00:12 por admin

A 22 de junho de 1940, França e Alemanha acertaram um cessar-fogo, encerrando a ofensiva alemã sobre a França, Holanda, Bélgica e Luxemburgo, iniciada seis semanas antes. As negociações foram perto de Paris, onde os franceses também ditaram as condições para a capitulação alemã na Primeira Guerra. O acordo dividiu a França: o norte ocupado e o sul administrado por um governo colaboracionista com o Terceiro Reich.

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  • Prisioneiros marroquinos em poder de alemães no início da ofensiva
  • O próprio Hitler foi quem mais se surpreendeu com o suposto maior êxito dos nazistas. A 17 de junho de 1940, ao receber a notícia de que o novo governo da França, liderado pelo marechal Henri Philippe Pétain, queria um cessar-fogo, ele comemorou o triunfo.

    A campanha militar ocidental contra a França, Holanda, Bélgica e Luxemburgo durara apenas seis semanas. De largada, os alemães atingiram uma meta que fora considerada decisiva na Primeira Guerra Mundial (1914–1918): a imobilização do poderio militar francês e a conquista da costa do Canal da Mancha. Hitler via-se como o maior comandante militar de todos os tempos.

    Para completar a humilhação do inimigo, ele exigiu que o acordo de paz fosse negociado na floresta de Compiègne, próxima a Paris, no mesmo vagão em que o general francês Ferdinand Foch ditara as condições da rendição alemã a 10 de novembro de 1918. Soldados alemães arrombaram o museu e empurraram o vagão 24 19 D até um bosque próximo à localidade de Réthondes.

    A 21 de junho, Hitler sentou-se no lugar do marechal Foch. Pétain, de 84 anos, comandante superior das tropas francesas na Primeira Guerra Mundial, foi obrigado a ocupar o lugar em que Matthias Erzberger assinara a capitulação alemã. Hitler ordenou ao general Wilhelm Keitel que lesse as exigências alemãs.

    Depois de um dia e meio de negociações, às 18:55 horas de 22 de junho de 1940, o destino da França estava selado. Keitel, chefe da delegação alemã, e o general Charles Huntzinger assinaram o cessar-fogo, que dividiu a França. Três quintos do território francês (o norte), incluindo as principais cidades industriais e a costa atlântica, passaram diretamente ao controle da administração militar alemã. Para a Alsácia-Lorena foi estabelecida uma administração civil. A região desocupada no sul, com a capital em Vichy, ficou para o governo francês.

    1942: Batalha de Tobruk

    20 de Junho de 2009 @ 00:31 por admin

    Em 20 de junho de 1942, as tropas alemãs iniciaram o ataque decisivo ao porto líbio de Tobruk, cuja importância era estratégica para o avanço do Afrika Korps de Hitler. A batalha foi o ponto alto da carreira de Rommel.

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    Às 5h20 da manhã de 20 de junho de 1942, o Afrika Korps alemão atacou a cidade portuária de Tobruk, na Líbia. Sob o comando do general Erwin Rommel, uma infantaria e duas divisões de tanques, apoiadas pela força aérea e pelo 20º exército italiano, abriram fogo.

    Por volta das 9 horas, as tropas do eixo atingiram o cruzamento da rua Via Balbia com a estrada para El Adem, chamada King’s Cross pelos ingleses. A contraofensiva da 32ª brigada de tanques britânicos chegou tarde demais. Com a tomada do King’s Cross, às 13h30min, a queda de Tobruk estava praticamente selada.

    A resistência ainda continuou até o dia seguinte. Vinte e quatro horas depois do primeiro tiro, os alemães chegaram ao porto. Um correspondente de guerra narrou assim os acontecimentos: “São 5h10 da manhã. Começou o segundo dia da batalha por Tobruk e, a verdade, ele prenuncia o fim da operação. A noite passada foi iluminada pelos lança-chamas. Agora, aqui no porto de Tobruk, ergue-se uma enorme coluna de fumaça, uma parede que se estende de leste a oeste. A nuvem de fumaça sobe de um depósito de petróleo, incendiado por soldados em fuga. Ela paira como um sinal de infortúnio sobre a fortaleza”.

    Valor estratégico para abastecimento

    Tobruk, que em tempos de paz tinha só uma população de 4 mil habitantes, situa-se na costa da Líbia, junto a uma ampla baía de águas profundas. Era, portanto, um dos melhores portos naturais da costa norte-africana, o que lhe dava um imenso valor estratégico como centro de abastecimento. Foi disputadíssima durante toda a Segunda Guerra Mundial. Utilizada primeiramente pelos italianos como base para seus ataques à Cirenaica, em janeiro de 1941 passou ao controle dos ingleses.

    Rommel já havia tentado ocupar Tubruk um ano antes. Na ocasião, as tropas inglesas no norte da África, derrotadas, tiveram de recuar até a fronteira do Egito, mas conseguiram defender Tobruk. Rommel fracassou devido a excessivas perdas no flanco sul e porque Tobruk era abastecida constantemente pelo mar. Além disso, foi surpreendido pela resistência de unidades neozelandesas, que se destacaram por sua bravura na defesa do porto, como lembra o historiador Barton Maughan. Depois de sitiar a cidade durante 242 dias, Rommel viu-se obrigado a interromper a campanha.

    Essa resistência, porém, não deveria se repetir em junho de 1942. A Operação Veneza, destinada a expulsar os ingleses da África do Norte, tinha sido melhor preparada. Subestimando o significado estratégico de Tobruk, os ingleses haviam deixado ali apenas a segunda divisão sul-africana. Desta vez, as tropas alemãs levaram apenas um dia para conquistar a cidade. Às 6h30, o comandante da fortaleza, general Klopper, entregou-se ao Afrika Korps, fato que a rádio oficial alemã registrou com a seguinte notícia:

    “Do quartel geral do Führer, 21 de junho de 1942. O comando superior da Wehrmacht (Forças Armadas) informa: tropas alemãs e italianas, comandadas pelo general Rommel, tomaram a maior parte da cidade de Tobruk. Em conseqüência, um parlamentar inglês propôs a comandantes do exército italiano a entrega da fortaleza. A cidade e o porto estão ocupados. Até agora, foram presos mais 25 militares, entre eles vários generais, e apreendido um volume inestimável de armas.”

    A conquista de Tobruk representou o auge da carreira de Rommel.

    1977: Morre Wernher von Braun

    16 de Junho de 2009 @ 12:01 por admin

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    No dia 16 de junho de 1977, falecia Wernher von Braun, um dos pioneiros na pesquisa da técnica de foguetes espaciais.

    “Um pequeno passo para uma pessoa, um salto para a humanidade.” A frase do norte-americano Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua em julho de 1969, só pôde ser dita graças ao trabalho de uma figura-chave no mundo da astronáutica: o alemão Wernher von Braun (1912-1977). Desde 1960 diretor do Centro Marshall de voos espaciais da Nasa, von Braun foi responsável pelo desenvolvimento dos foguetes Saturno V, que permitiram o envio da nave Apolo 11 à lua.

    De família aristocrática e conservadora, von Braun, nascido em 1912 na cidade de Wirsitz (hoje Wirzyzk, Polônia), interessou-se desde cedo pela cosmonáutica. Em 1925, mergulhou na leitura de um livro do “pioneiro dos foguetes”, Hermann Oberth, no qual eram apontados os caminhos para uma viagem espacial tripulada.

    Com o propósito de levar à frente suas ideias, von Braun mostrou-se apto a fazer qualquer concessão aos donos do poder. Para ele, a ciência não possuía “dimensões morais em si”. E foi através da proximidade com as Forças Armadas da Alemanha nazista que ele pôde concluir, no ano de 1934, sua tese de doutorado sobre Os princípios básicos dos foguetes movidos a combustível líquido.

    Primeiro foguete operacional do mundo

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    Alguns anos depois, von Braun tornou-se diretor-técnico da base militar de Peenemünde, localizada numa ilha do Mar Báltico, no norte da Alemanha. Sob seu comando, foi desenvolvido o V-2 (V de Vergeltung, que em alemão significa vingança), o primeiro foguete operacional do mundo. Após testes em 1942, os V-2 foram usados durante a Segunda Guerra Mundial, principalmente em bombardeios a Londres, tendo ficado conhecidos como “armas do terror”.

    Utilizados em grande escala pela Alemanha para atacar cidades das forças aliadas, os artefatos deixaram um saldo de 8.500 mortos e 46.200 feridos.

    Apesar de sua conivência com o regime nazista, von Braun foi poupado de um julgamento oficial e mesmo moral após o fim da guerra. Acompanhado de seus 130 assistentes da base militar de Peenemünde, o especialista alemão foi enviado aos Estados Unidos para trabalhar em sistemas de mísseis teleguiados, tão logo entregou-se às tropas norte-americanas em maio de 1945. O interesse militar por ocasião da Guerra Fria falou mais alto que qualquer julgamento moral.

    Defesa do programa Apolo

    Em 1961, von Braun foi convidado pelo presidente Kennedy a coordenar o programa Apolo, que anos mais tarde levaria o homem à lua. Acusado por alguns de dispender muito dinheiro com um projeto megalômano, no qual estavam envolvidas 20 mil empresas, centenas de instituições e departamentos públicos, mais de 400 mil pessoas e gastos em torno de 24 bilhões de dólares, von Braun defendeu-se: “O programa Apolo não foi um desperdício louco de dinheiro público, mas um dos investimentos mais racionais, inteligentes e com visão de futuro que qualquer nação já fez”.

    As viagens ao espaço programadas por von Braun acabaram, no entanto, ficando muito aquém do esperado. A partir de 1965, foi reduzida não só boa parte das verbas destinadas a seus projetos, mas principalmente o apoio político a seus planos de criar uma estação espacial e organizar uma missão a Marte.

    Amargurado, o cientista despediu-se da Nasa em 1972, instituição da qual havia sido nomeado diretor de Planejamento dois anos antes. Em 1975, von Braun fundou o Instituto Nacional de Astronáutica, pouco antes de morrer, vítima de câncer, a 16 de junho de 1977, na cidade de Alexandria (Virginia), nos Estados Unidos.

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    Pentágono quis invadir o Brasil

    15 de Junho de 2009 @ 12:10 por admin

    Getúlio Vargas era neutralista na Segunda Guerra, mas teve de ceder à pressão dos EUA. Ele aproveitou para negociar e obter vantagens. Graças a ele, o Brasil é hoje um país industrializado, diz professor Moniz Bandeira.

    Em entrevista à DW-WORLD sobre os 60 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, o professor Moniz Bandeira, da Universidade de Brasília, avalia as posições adotadas pelo Brasil durante o conflito. O autor do livro Relações Perigosas – Brasil e Estados Unidos fala da influência norte-americana sobre o Exército brasileiro, a entrada de fugitivos nazistas no país e da recente descoberta dos diários de Mengele em São Paulo. Ele afirma que tanto os EUA quanto a União Soviética aproveitaram ex-agentes nazistas no pós-guerra.

    DW-WORLD: O que significou e/ou ainda significa o dia 8 de maio de 1945 para o Brasil?

    Moniz Bandeira: O dia 8 de maio significou para o Brasil o que significou para todo o mundo: o fim de uma guerra que devastou as cidades na Alemanha, comprometeu quase todos os países do mundo e envolveu também o Brasil, que mandou tropas para a Itália. É uma data significava, porém não desperta interesse especial no Brasil, porque já se passaram mais de 60 anos. Não há motivo para festejar nem para chorar nessa data, por se tratar de uma era completamente superada.

    DW: Quais foram os motivos que levaram o governo Vargas (no Estado Novo) a oscilar entre o apoio ao III Reich, a neutralidade no início da guerra e, por fim, sua entrada nos combates ao lado dos Aliados?

    O governo Vargas era neutralista, mas sabia perfeitamente que o Brasil não poderia manter-se nessa posição se os Estados Unidos entrassem no conflito. O Brasil dependia das exportações de café, e o café, do mercado americano. Vargas aproveitou a situação para negociar com os Estados Unidos e obter vantagens, principalmente a instalação de uma siderúrgica no Brasil. Houve uma negociação. Os americanos pretendiam instalar bases no litoral do Brasil, particularmente no Nordeste, para defender o Atlântico Sul, porque os alemães já estavam no noroeste da África.

    Os EUA já estavam se preparando para entrar na guerra. Não foi Pearl Harbor que levou os EUA a entrar na guerra. Pearl Harbor apenas foi o pretexto, provocado pelo presidente Roosevelt, que fora informado sobre o ataque e deixou que acontecesse. Como o Pentágono quis invadir o Brasil, a fim de instalar tais bases, houve um alarme tanto no governo brasileiro quanto no governo americano. Os militares brasileiros, entre eles o ministro da Guerra, Marechal Dutra, o general Goes Monteiro, chefe do Estado-Maior, eram pró-Alemanha e iriam reagir. Roosevelt sabia que haveria essa reação, os alemães atravessariam o Atlântico e a guerra entraria no Brasil. Então ele negociou com Vargas, que permitiu a construção das bases, sob a condição de que os Estados Unidos concedessem um crédito para a instalação de uma siderúrgica no Brasil, um país com abundantes jazidas de ferro, que queria transformar o ferro em aço e criar uma indústria de bens de capital, uma indústria pesada, para impulsionar seu processo de industrialização.

    Roosevelt se dispôs a fazer esse investimento para evitar que fosse feito pela Krupp (empresa alemã), com quem Vargas estava também a negociar. Vargas criou então uma empresa estatal – a Companhia Siderúrgica Nacional – e o governo americano, coisa que nunca havia feito, concedeu o crédito, porque a United Steel não queria fazer o investimento. Depois do bombardeio de Pearl Harbor, o Brasil rompeu relações com a Alemanha, cujos submarinos, depois, começaram a torpedear os navios brasileiros. Foi por isso que Vargas entrou na guerra contra a Alemanha. Mas não entrou em guerra contra o Japão. A declaração de guerra foi só contra a Alemanha e a Itália, por causa dos torpedeamentos.

    A política de Vargas foi correta. Graças a ele, o Brasil é hoje um país industrializado, porque pôde implantar o maior complexo siderúrgico da América Latina, que começou a funcionar em 1946. O Brasil, com abundantes jazidas de ferro e uma indústria de bens de consumo já bem desenvolvida, pôde desenvolver uma indústria de bens de capital, o setor que permite a auto-sustentação e a autotransformação do capitalismo, e assim ganhou extraordinário impulso, o boom dos anos 50, época em que justamente os capitais alemães para lá fluíram, porque não podiam ir para o Leste Europeu, subordinado ao regime comunista, e temiam uma guerra atômica na Europa. Já no tempo de Vargas, em 1953, começaram os entendimentos para a instalação das fábricas da Volkswagen e da Mercedes Benz, cujos investimentos amadureceriam durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, nos anos 1957–59.

    Em seu livro Brasil, Argentina e Estados Unidos. Conflito e integração na América do Sul, da Tríplice Aliança ao Mercosul, 1870–2003, o Sr. analisa, entre outros assuntos, a manutenção de um vínculo tardio argentino à Inglaterra em contrapartida às relações intensas entre Brasil e Estados Unidos no contexto da Segunda Guerra Mundial. Que conseqüências teve o fim da Segunda Guerra para as relações do Brasil com seus vizinhos da América do Sul, principalmente diante da determinação dos EUA de exercer hegemonia direta sobre o continente? Os pracinhas da FEB foram lutar na Europa para mostrar quem manda na América do Sul, modificando o jogo de forças na região?

    A FEB foi para a Itália no 5° Exército dos Estados Unidos, e lá sofreu a influência dos americanos. No contexto da Guerra Fria, houve uma divisão no Exército brasileiro: mais ou menos 20% eram anti-Vargas e anticomunistas, outros 20% de esquerda e uma grande maioria nacionalista, mas com medo do comunismo. Isso influiu na política brasileira durante os anos 50. A CIA, criada em 1947, começou a ter uma atividade dentro do Brasil, inclusive para desestabilizar o governo Vargas, por causa da indústria petrolífera e atômica que ele quis implantar.

    Por meio da “black propaganda”, agitou as Forças Armadas contra Vargas, que havia implantado a Petrobrás e negociado com os cientistas alemães a transferência da tecnologia de enriquecimento de urânio, por meio das últimas centrífugas fabricadas clandestinamente na Alemanha. A CIA descobriu esse fato, e o Alto Comissariado Aliado impediu o embarque das ultracentrífugas para o Brasil, no porto de Hamburgo em 1954.

    Em relação à Argentina, o Brasil saiu fortalecido, não por causa da Guerra propriamente dita e, sim, porque a Inglaterra declinou. Como a Argentina dependia das exportações de trigo e carnes para o mercado inglês, ela não conseguiu dar um salto no seu processo de industrialização. Perón, quando tentou, foi muito tarde; não pôde jogar com as contradições internacionais. O setor agrário argentino era muito mais forte que o brasileiro porque a burguesia industrial brasileira era ao mesmo tempo ligada à agricultura, à plantação de café, ao passo que na Argentina nunca houve essa ligação entre os dois setores. A indústria argentina estava em mãos dos empresários de origem italiana.

    O forte interesse do governo brasileiro em atrair agricultores, técnicos e operários especializados alemães para o projeto de desenvolvimento nacional logo após a guerra, mencionado em seu livro O Milagre Alemão e o Desenvolvimento do Brasil, favoreceu a entrada clandestina de fugitivos nazistas no país? As autoridades brasileiras foram coniventes nesse ponto, como parece ter ocorrido, pelo menos em parte, na Argentina e no Paraguai?

    Não, eles foram independentemente disso. Os poucos fugitivos nazistas que foram para a Argentina, Paraguai e Brasil não tiveram muito significado lá. Nem foram através da importação da mão-de-obra. Além do mais, foram poucos os técnicos recrutados para o Brasil, bem menos por exemplo do que os alemães que foram para os Estados Unidos. A CIA, que na época ainda se chamava OSS, recrutou seus agentes entre os integrantes do serviço secreto alemão, da Gestapo. Inclusive o chefe do serviço secreto dos EUA na Alemanha, logo depois da guerra, era um ex-agente do tempo do nazismo. Todos os agentes secretos da CIA na Alemanha foram recrutados nessa base porque, quando previu que a luta ia ser contra a União Soviética, a CIA tratou de recrutar os nazistas. E muitos foram para os Estados Unidos. Também a União Soviética, através da Alemanha Oriental, aproveitou muitos militares do tempo do nazismo.

    Já no caso do Brasil, não há nenhuma ligação entre a busca de mão-de-obra qualificada na Alemanha e a entrada clandestina de fugitivos nazistas no país. Quanto a isso, a documentação de Mengele encontrada recentemente no Brasil – que eu ainda não conheço – não deve conter novidades. Trata-se de correspondência de pós-guerra, porque ele não levou documentos para lá, ele saiu fugitivo da Alemanha. Durante a guerra, sim, houve atividade nazista no Brasil, inclusive com serviço de espionagem, por conta do partido nazista, proibido em 1937. E grande parte da colônia alemã no Brasil era simpatizante do nazismo, mas isso não teve maior importância. Não só os descendentes alemães e, sim, muitos brasileiros eram simpatizantes do nazismo. Isso não porque fossem pró-nazismo por convicção, mas sim porque eram contra a Inglaterra e os EUA. O nacionalismo na América Latina sempre foi basicamente, essencialmente, anti-americano. Daí porque tomou uma conotação esquerdista, como foi o caso de Vargas no Brasil e de Perón na Argentina no contexto bipolar da Guerra Fria, em que ser antiamericano parecia ser pró-soviético, ainda que não o fosse.

    Luis Alberto Moniz Bandeira é professor titular de História da Política Exterior do Brasil na Universidade de Brasília e autor de mais de 20 obras sobre as relações dos Estados Unidos com o Brasil e a América Latina. Uma delas é Relações Perigosas: Brasil – Estados Unidos (Editora: Civilização Brasileira, 2004). Sobre as relações da Alemanha com a América Latina escreveu, por exemplo, O Milagre Alemão e o Desenvolvimento do Brasil (editora Ensaio, 1994).

    Entrevistado por Geraldo Hoffmann - dw-world.de (via telefone)

    1944: O “Dia D”

    6 de Junho de 2009 @ 21:58 por admin

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    O dia 6 de junho de 1944 entrou para a história como o Dia “D”. Neste dia, os aliados ocidentais iniciaram a ofensiva contra as tropas alemãs no Canal da Mancha.

    Durante anos, a decisão por uma grande ofensiva sobre o Canal da Mancha foi motivo de fortes controvérsias entre os aliados ocidentais. Inicialmente, não houve consenso quanto à proposta da União Soviética de abrir uma segunda frente de batalha na Europa Ocidental, a fim de conter as perdas russas nos violentos combates contra as Forças Armadas alemãs.

    Somente no final de 1943, decidiu-se em Teerã planejar para a primavera seguinte a chamada Operação Overlord – a maior operação aeronaval da história militar.

    Nos meses seguintes, mais de três milhões de soldados norte-americanos, britânicos e canadenses concentraram-se no sul da Inglaterra para atacar os alemães na costa norte da França. Além disso, dez mil aviões, sete mil navios e centenas de tanques anfíbios e outros veículos especiais de guerra foram preparados para a operação.

    Operação anunciada pelo rádio

    A 6 de junho de 1944, foi anunciada pelo rádio a chegada do “Dia D” - o Dia da Decisão. A operação ainda havia sido adiada por 24 horas, devido ao mau tempo no Canal da Mancha e, por pouco, não fora suspensa.

    Antes do amanhecer, pára-quedistas e caças aéreos já haviam bombardeado trincheiras alemãs e destruído vias de comunicação. Uma frota de aproximadamente 6.500 navios militares atracou num trecho de cerca de 100 quilômetros nas praias da Normandia, no nordeste da França.

    Ao final do primeiro dia da invasão, mais de 150 mil soldados e centenas de tanques haviam alcançado o continente europeu. Graças à supremacia aérea dos aliados, foi possível romper a temível “barreira naval” de Hitler e estabelecer as primeiras cabeceiras de pontes. As perdas humanas – 12 mil mortos e feridos – foram menores do que esperadas, visto que o comando militar alemão fora surpreendido pelo ataque.

    Alemães esperavam adiamento da operação

    Os nazistas previam uma invasão, mas não sabiam onde ela ocorreria. Também não chegaram a um consenso sobre a melhor maneira de enfrentá-la. Por causa do mau tempo, eles esperavam que a operação fosse adiada para o verão europeu. Em função de manobras simuladas pelos aliados, Hitler concentrara o 15º exército na parte mais estreita do Canal da Mancha, onde previa ser atacado.

    As demais tropas alemãs permaneceram no interior do país, em vez de serem estacionadas na costa, como havia pedido inutilmente o marechal-de-campo Erwin Rommel. Graças a esses erros estratégicos, os aliados escaparam de uma violenta contraofensiva alemã.

    Apesar disso, o avanço das tropas aliadas enfrentou forte resistência. A cidade de Caen, que os ingleses pretendiam libertar já no dia do desembarque, só foi entregue pelos alemães no dia 9 de junho, quase toda destruída. As defesas nazistas no interior da França só foram rompidas a 1º de agosto, uma semana depois do previsto.

    O “Dia D”, comandado pelo general Dwight D. Eisenhower, foi o ataque estratégico que daria o golpe mortal nas forças nazistas. “Esse desembarque faz parte de um plano coordenado pelas Nações Unidas - em cooperação com os grandes aliados russos - para libertar a Europa. A hora da libertação chegou”, profetizou o próprio Eisenhower, a 2 de junho.

    Paris foi libertada a 25 de agosto, Bruxelas, a 2 de setembro. A fronteira alemã anterior ao início da guerra foi cruzada pelos aliados em Aachen a 12 de setembro, ao mesmo tempo em que eram realizados bombardeios aéreos contra cidades industriais alemãs. No início de 1945, os soviéticos (pelo leste) e os norte-americanos (pelo oeste) fizeram uma verdadeira corrida para chegar primeiro a Berlim, para comemorar a vitória definitiva sobre a Alemanha nazista.

    Ministério da Defesa da Rússia acusa Polônia de ser a culpada do início da Segunda Guerra Mundial

    5 de Junho de 2009 @ 13:28 por admin

    O Ministério da Defesa da Rússia considera que foi a Polônia e não a Alemanha que provocou a Segunda Guerra Mundial de 1939-1945, tentando assim rever mais uma página da História Universal do Século XX.

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    “Todos os que estudaram não tendenciosamente a história da Segunda Guerra Mundial sabem que ela começou devido à renúncia da Polônia satisfazer as pretensões alemãs, sendo as exigências da Alemanha bastante moderadas: incluir a cidade livre de Danzig ao Terceiro Reich, permitir a construção de estradas de ferro e estradas extra-territoriais, que ligassem a Prússia Oriental à Alemanha”, escreve o coronel Serguei Kovaliov, do Instituto de História Militar do Ministério da Defesa na Rússia.

    “É difícil considerar infundadas as duas primeiras exigências”, sublinha o militar no artigo “Especulações e Falsificações na avaliação do papel da URSS na antes e durante a Segunda Guerra Mundial”, publicado na seção “A História contra a mentira e as falsificações” do portal do Ministério da Defesa da Rússia.

    O coronel repete, para apoiar a sua tese, as justificações da invasão da Polônia, apresentadas pelos dirigentes da Alemanha nazista em Setembro de 1939.

    “A esmagadora maioria dos habitantes de Danzig, separados da Alemanha pelo Tratado de Paz de Versalhes, era constituída por alemães, que desejavam sinceramente a reunificação com a pátria histórica… A propósito, ao contrário das fronteiras ocidentais, a Alemanha nunca reconheceu voluntariamente as mudanças territoriais feitas no Leste pelo Tratado de Versalhes”, escreve Serguei Kovaliov.

    O historiador militar sublinha que Varsóvia respondeu com uma “ decidida negativa”, porque “tentava obter o estatuto de grande potência” e as suas “ilusões infundadas” eram apoiadas pelos países vencedores na Primeira Guerra Mundial.

    O coronel defende também a tradicional tese soviética de que Stalin não teve outra alternativa do que assinar o Pacto Molotov-Ribbentrop, pois a URSS precisava de adiar o início da guerra para preparar novas linhas de defesa no ocidente da antiga fronteira soviética.

    Esta artigo faz parte da campanha iniciada pelo Presidente russo, Dmitri Medvedev, com a criação de uma comissão especial para “combater as falsificações da História”.

    Fonte: Jose Milhazes
    http://darussia.blogspot.com/

    1989: Massacre na Praça da Paz Celestial

    4 de Junho de 2009 @ 10:53 por admin

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    A 4 de junho de 1989, o exército chinês encerrou de forma brutal o protesto em massa por liberdade e democracia, na Praça da Paz Celestial, em Pequim. A violência militar teve um saldo de 3,6 mil mortos e 60 mil feridos.

    Era uma noite quente de verão, quando os tanques cercaram a Praça da Paz Celestial, em Pequim. Meia hora mais tarde, foram apagadas as luzes e iniciaram-se as brutalidades.

    Cerca de 40 mil soldados haviam sido chamados do norte do país, depois que o batalhão estacionado na capital havia se negado a cumprir as ordens para acabar com a manifestação pacífica por liberdade e democracia, promovida durante seis semanas na praça central. Já os soldados do interior da Mongólia, com seus experientes oficiais que haviam lutado no Vietnã, não conheciam estes escrúpulos.

    Os tanques invadiram a praça, atropelaram os manifestantes e atiraram em tudo o que se movia, promovendo um verdadeiro banho de sangue. Até hoje, não se sabe o número exato de mortos, calculado entre 2 e 5 mil pessoas. Também estudantes que tentaram ajudar os feridos foram mortos.

    Uma alemã, que deixou a China às pressas na ocasião, relatou mais tarde que viu na rua cerca de 500 universitários com flores brancas e pretas nas roupas, em sinal de luto. “Todos foram atropelados pelos tanques”, relatou horrorizada.

    Os protestos haviam se iniciado seis semanas antes, após a morte do chefe do partido, Hu Yaobang. No dia 18 de abril, milhares de universitários se dirigiram em passeata para ocupar a praça central da capital chinesa. Eles reivindicavam a democratização do Partido Comunista e o combate à corrupção.

    Jornal anunciou medidas repressivas

    No dia 26 de abril, o jornal Renmin Ribao, órgão oficial do governo em Pequim, criticou de forma severa o movimento estudantil e anunciou medidas repressivas em seu editorial. Ignorando a advertência, outros milhares de estudantes de 40 universidades do país deslocaram-se até a praça. Também a classe jornalística solidarizou-se com o movimento e, pela primeira vez, promoveu uma manifestação exigindo liberdade de imprensa.

    Nos primeiros dias do mês de maio, entretanto, ficava clara a cisão dentro da cúpula política. Enquanto o chefe do partido, Zhao Ziyang, mostrava compreensão para as reivindicações estudantis, o primeiro-ministro, Li Peng, e Deng Xiaoping defendiam a linha dura.

    A 13 de maio, os universitários reunidos na praça iniciaram a greve de fome, alguns inclusive recusavam-se a beber água. Li Peng continuou se negando a seguir suas exigências e no dia 20 de maio decretou a lei marcial. Pouco depois, Zhao Ziyang foi deposto, selando a vitória da linha-dura do governo chinês.

    A cisão começava a se delinear também entre os manifestantes. Os mais radicais negavam-se a seguir a sugestão feita pela Aliança Universitária de Pequim, de encerrar a manifestação. No dia 29, artistas chegaram a confeccionar uma estátua de espuma em homenagem à democracia, de 10 metros de altura, em plena Praça da Paz Celestial.

    Na noite de 4 para 5 de junho, então, os tanques e caminhões com soldados portando metralhadores avançaram sem piedade sobre os milhares de estudantes. A temida guerra civil como conseqüência do massacre acabou não acontecendo. O movimento pela democracia foi sufocado em sangue e a imprensa subjugada ao controle estatal.

    1942: Ofensiva dos Aliados em El Alamein

    26 de Maio de 2009 @ 10:53 por admin

    No dia 26 de maio de 1942, começou no Norte da África a grande ofensiva dos Aliados contra as tropas da aliança teuto-italiana

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    El Alamein não passa de uma estrada costeira pelo deserto, de Alexandria à Líbia. Foi nessa região que as divisões de tanques dos Aliados começaram, em maio de 1942, um ataque decisivo às forças do eixo teuto-italiano. Era o começo do fim da campanha alemã na África, iniciada em janeiro de 1941 na Líbia, após o fracasso italiano na região.

    África estava fora dos planos de Hitler

    Na primavera de 1941, Adolf Hitler preparava um ataque à União Soviética. A região do Mar Mediterrâneo e a África estavam completamente fora de seus planos políticos, militares ou estratégicos.

    Com seu único aliado na Europa, a Itália de Benito Mussolini, ele havia acertado o seguinte: o território ao norte dos Alpes era área de influência dos alemães; os italianos eram responsáveis pelo sul da Europa. “Mas, vendo a Itália cada vez mais acuada no Norte da África, a Alemanha assumiu o controle das operações, a fim de ajudar Mussolini”, explica o historiador Eberhard Jäckel.

    Arrogante, a Itália de Mussolini entrou numa situação complicada por culpa própria. Primeiramente, atacou a Somália britânica a partir da Abissínia (hoje Etiópia). Das suas posições na Líbia, invadiu o Egito, onde os ingleses também tinham fortes interesses, e ainda atacou a Grécia. “Daí teve de pedir auxílio a Hitler”, diz Jäckel.

    Comando a cargo da “Raposa do Deserto”

    Em consequência, o Norte da África tornou-se palco da guerra. A campanha recebeu o nome de Girassol. Um oficial altamente condecorado na Primeira Guerra Mundial, Erwin Rommel, foi encarregado de manter a capital da Líbia, Trípoli, em poder dos italianos.

    Seu filho, Manfred Rommel, lembra que o pai “queria vencer a guerra. Inicialmente, ele tinha apenas a missão de defender Trípoli. Esse era também o objetivo do comando da Wehrmacht. Mais tarde, acreditou que, com um reforço das tropas alemãs na África, seria possível alcançar o Canal de Suez e controlar toda a região do Mediterrâneo”.

    Seu plano consistia num eventual ataque ao Egito, seguido da conquista do Canal de Suez. Depois, o Afrikakorps avançaria rumo ao Oriente Médio e à Pérsia. Alimentada com o abundante petróleo dessa região, a máquina de guerra alemã avançaria e se juntaria às tropas na frente russa e, posteriormente, marcharia em direção à Índia, para encontrar-se com os japoneses e destruir assim de vez o Império Britânico.

    Considerado um gênio da guerra blindada, Rommel apostou na astúcia para vencer os ingleses com as suas tropas modestas. No verão de 1941, as divisões alemãs e italianas chegaram ao Egito. Promovido a marechal-de-campo, Rommel queria transformar o conflito numa guerra pessoal. Apelidado de “Raposa do Deserto”, era admirado tanto pelos seus soldados quanto pelos inimigos. Para os árabes, ele era o “libertador” que os salvaria do domínio inglês, instaurado na região a partir de 1917.

    Falta de apoio ao Afrikakorps

    Hitler, entretanto, mais preocupado com o fronte russo, não deu o apoio necessário ao Afrikakorps. O 8º Exército britânico, comandado por Sir Bernard Montgomery, estava bem melhor equipado do que as tropas teuto-italianas. Enquanto Rommel e seu desfalcado exército preparavam-se para atacar Alexandria, os ingleses os surpreenderam em El Alamein, no Egito, numa batalha que se tornaria decisiva.

    Ao receber do comando geral (OKW) a ordem de resistir até o último homem, Rommel passou de crítico a adversário de Hitler. Negou-se a sacrificar o Afrikakorps e ordenou a retirada total da África do Norte. Sucedeu-se uma “fuga” espetacular das tropas teuto-italianas rumo à Tunísia.

    A guerra no Norte da África consumou-se em maio de 1943, quando os norte-americanos desembarcaram na região e forçaram a rendição incondicional do Afrikakorps. Cerca de 250 mil soldados alemães e italianos foram aprisionados.

    Erwin Rommel deixou o Norte da África derrotado, mas de cabeça erguida. A 14 de outubro de 1944, suicidou-se, ingerindo veneno. Ele não tinha outra escolha. Se não tivesse se suicidado, talvez teria sido condenado à morte por alta traição pela Justiça, em virtude da sua suposta ligação com o grupo que executara um atentado a bomba contra o quartel-general de Hitler meses antes, a 20 de julho de 1944.

    8 de Maio de 1945: Capitulação da Alemanha

    8 de Maio de 2009 @ 13:36 por admin

    Em 8 de maio de 1945, o Alto Comando da Wehrmacht assina em Berlim a capitulação incondicional do Terceiro Reich ante as forças aliadas. Era o final da Segunda Guerra Mundial na Europa, cinco anos e meio após seu início.

    “Nós, abaixo-assinados, que negociamos em nome do Alto Comando alemão, declaramos a capitulação incondicional ante o Alto Comando do Exército Vermelho e ao mesmo tempo ante o Alto Comando das forças expedicionárias aliadas de todas as nossas Forças Armadas na terra, na água e no ar, assim como de todas as demais que no momento estão sob ordens alemãs. Assinado em 8 de maio de 1945 em Berlim. Em nome do Alto Comando alemão: Keitel, Friedeburg, Stumpf…”

    O que o locutor da Rádio do Reich anunciava em poucas palavras na manhã de 9 de maio de 1945 era o final da Segunda Guerra Mundial na Europa. Todos os sobreviventes respiraram aliviados. Mas aquilo que a maioria – também dos alemães – sentiu como libertação, significava para outros vergonha e afronta, ou até mesmo a própria catástrofe.

    Mas não teria a catástrofe, de fato, começado já em 30 de janeiro de 1933, com a chegada de Adolf Hitler ao poder? Teria sido realmente possível evitá-la, após os sucessos de política externa do Führer até o outono europeu de 1938?

    Início bem-sucedido

    As vitórias-relâmpago sobre a Polônia, a França e a Noruega haviam cegado os alemães e, acima de qualquer coisa, a própria liderança nazista. O ataque à União Soviética, em 22 de junho de 1941, resultava desse delírio provocado pelas fáceis conquistas militares.

    “Do quartel-general do Führer, o Alto Comando informa: em defesa contra o ameaçador perigo do leste, a Wehrmacht (Forças Armadas) atacou, às 3 horas da manhã de 22 de junho, a violenta marcha das tropas inimigas. Uma esquadrilha da Luftwaffe bombardeou o inimigo soviético ainda ao alvorecer.”

    Os esmagadores sucessos iniciais da Operação Barba-Roxa, nome secreto do assalto alemão à União Soviética, também pareciam levar o Reich a mais um triunfo militar. Em 3 de outubro de 1942, ao inaugurar a obra assistencial de inverno, Hitler zombou das reações da imprensa estrangeira:

    “Se nós avançamos mil quilômetros, não se pode chamar isso exatamente de fracasso (…). Por exemplo, nos últimos meses – e é em apenas alguns meses que se pode sensatamente promover uma guerra neste país – nós avançamos até o Rio Don, o descemos e chegamos finalmente ao Volga. Cercamos Stalingrado e vamos tomá-la – no que os senhores podem confiar.”

    A virada

    Era a primeira vez que Hitler mencionava publicamente o nome da cidade que viria, quatro meses mais tarde, mudar o destino da guerra. Se na ocasião muitos generais acreditavam no sucesso militar da ofensiva, no momento da capitulação do Sexto Exército em Stalingrado restavam poucos otimistas ainda cegamente convictos de um fim vitorioso para a Alemanha de Hitler.

    A derrota das tropas alemãs na África do Norte, no mesmo ano, e o desembarque dos Aliados na Normandia, em junho de 1944, reverteram o destino militar do Exército alemão.

    Último boletim

    Um dia após a capitulação incondicional, a emissora de rádio do Reich da cidade de Flensburg, onde residia o grande almirante Dönitz, que após o suicídio de Hitler exerceu interinamente o posto de chanceler do Reich até 23 de maio, levou ao ar o último boletim da Wehrmacht, elogiando a heróica resistência dos últimos batalhões na foz do Rio Vístula:

    “Vinte horas e três minutos. No ar, a emissora do Reich de Flensburg e sua rede de afiliadas. Hoje, transmitimos o último boletim da Wehrmacht sobre esta guerra. Do quartel-general do grande almirante, em 9 de maio de 1945, o Alto Comando informa que…”

    O que todos os boletins oficiais das Forças Armadas sempre haviam omitido, passou gradualmente a ficar claro a partir de 8 de maio de 1945. Além dos monstruosos danos materiais e da destruição irreparável de obras de arte, a Grande Guerra consumira não menos que 55 milhões de vidas humanas.

    Norbert Ahrens (mw)